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Livre trânsito para todas as idéias

quinta-feira, 9 de março de 2017

Sejamos tod@s vadias!

E se for livre é ser vadia, que sejamos todos vadias!!!!


Por Jeison Heiler

Dia 8 de março - Dia internacional da mulher. Dia daquelas pessoas que pertencem ao denominado gênero feminino. As razões históricas para a data remontam ao movimento operário de trabalhadoras russas e de trabalhadoras organizadas no partido comunista dos Estados Unidos[1]. Essa já é uma coisa que muito pouca gente sabe. Mas para além disso, este artigo quer refletir: porque atribuir um dia específico como data de rememorar as mulheres?


Eis aí uma questão que merece ser pensada desviando-se das respostas usuais. Cabe refletir que a antítese à memória é o esquecimento. Em segundo lugar pode-se refletir que a atribuição da efeméride é uma maneira de despertar atenção à peculiar condição do gênero feminino, como subespécie do gênero masculino.


Boa parte dos direitos relacionados a uma ideia básica de cidadania, como o direito ao voto, por exemplo, foram atribuídos às mulheres muito recentemente. Apesar de se dizer que os regimes democráticos remontam desde a Grécia antiga (sec. V a.C), basta dizer que até os anos 50 a maior parte da população feminina estava impedida do exercício deste direito. Pode-se dizer que, atualmente, as mulheres já podem votar e as coisas mudaram muito, pois até o mercado de trabalho já está aberto para o gênero. É verdade.


Entretanto, estes direitos, conquistados não sem muita luta e resistência pelas mulheres, revestem-se do caráter de sub-direitos, próprios a uma sub-cidadania característica da condição de subespécie ao gênero masculino. Pior, para além da mulher (subespécie) há a mulher subalternizada, negra, velha, deficiente, obesa, pobre, a quem nem mesmo o status de mulher é conferido pela sociedade excludente de tudo aquilo que não possa ser enquadrado nos parâmetros estéticos californianos.


É por isso, dada a condição presente da mulher e daquelas que não figuram nas capas de revistas, nos (i)realty-shows, ou nos programas televisivos exibidos no horário nobre, que cabe lembrar o dia 8 de março não como uma data histórica. Mas como data que registra de maneira indelével a subcondição da fêmea, mãe, mulher, trabalhadora, capa-de-revista, ou artigo de luxo disponível àqueles que pagarem o preço em dinheiros contados.


Cabe ouvir o sentido e toda expressão do grito das mulheres que tem marchado. Elas protestam. E no meio do grito que rompe o silêncio e desafia o punho que ameaça colocam a nu o corpo e a hipocrisia. Colocam a nu o sexo e a sua valia. E se for livre é ser vadia, que sejamos todos vadias!!!!

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