Por Domingos Miranda
Não existe prisão para as ideias, elas circulam livremente. Assim aconteceu em 1917, um dos anos em que a classe operária abalou o mundo e o Brasil. Em março, depois de enormes paralisações nas fábricas de São Petersburgo e Moscou, na Rússia, uma das monarquias mais sanguinárias da Europa foi derrubada. Em outubro daquele mesmo ano, os trabalhadores, sob a liderança de Lênin e do Partido Bolchevique, assumiram o poder. Estes fatos se alastraram como fogo em palha seca, trazendo esperança para os oprimidos de todo o mundo. Em São Paulo, em 9 de julho, os operários de uma fábrica têxtil entraram em greve por melhoria nos salários e nas condições de trabalho. Mesmo com a repressão violenta a paralisação se espalhou e a cidade parou por uma semana. Em 23 de julho, os trabalhadores de Joinville fizeram a sua primeira greve, atingindo várias fábricas.

O mais surpreendente na greve de Joinville foi ela ter acontecido mesmo não havendo qualquer sindicato na cidade. Mas a notícia de que os grevistas de São Paulo haviam conseguido uma bela vitória, obtendo 20% de aumento nos salários, inflamou o ânimo dos trabalhadores em vários cantos do país. Nesta época, Joinville já era a cidade mais industrial de Santa Catarina. Aqui havia fábricas de meias, de tecidos de algodão, de velas, de pregos, arame farpado e telas, fósforos, móveis e tinha engenhos de erva-mate, serrarias e um moderno moinho de trigo. A antiga Colônia Dona Francisca foi colonizada por imigrantes suíços e alemães e era conhecida como a cidade da ordem e do trabalho. Artigos em jornais diziam que “o operário joinvilense é feliz e não se prestará nunca a promover desordens grevistas”.
Mas não era bem assim que pensava o trabalhador. Com a eclosão da primeira guerra mundial o país aumentou a exportação de alimentos e os preços dispararam. Para se ter uma ideia da situação, basta ver que entre 1914 e 1923, o salário no país havia subido 71% enquanto o custo de vida aumentou 189%. Portanto, quando a greve em Joinville se espalhou por várias fábricas pegou os empresários desprevenidos. A paralisação se encerrou somente no dia 1º de agosto sob a ameaça de demissão em massa. A historiadora Iara Andrade Costa escreveu que “a notável mobilização geral dos operários” fez com que os empregadores assumissem o compromisso de vender alimentos por preço de custo. Isto foi importante, pois os trabalhadores gastavam 65% dos salários com alimentos.
Como o objetivo fundamental do capitalismo é o lucro, obtido em cima de salários aviltados, os empresários se mobilizaram para evitar que novas paralisações ocorressem. Foram criadas “listas negras”, com o nome de lideranças dos grevistas que não mais conseguiam emprego nas fábricas. Já os trabalhadores tiraram uma grande lição: sem união não se alcança qualquer benefício. E isto ficou evidente ao longo dos cem anos seguintes, quando se conseguiu estipular as oito horas de trabalho por dia, férias, aposentadoria, salário-maternidade, 13º etc. A luta não para, pois agora o Congresso acaba de votar o desmonte da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). No entanto, os trabalhadores saberão dar uma resposta a altura, como fizeram em 1917.

O mais surpreendente na greve de Joinville foi ela ter acontecido mesmo não havendo qualquer sindicato na cidade. Mas a notícia de que os grevistas de São Paulo haviam conseguido uma bela vitória, obtendo 20% de aumento nos salários, inflamou o ânimo dos trabalhadores em vários cantos do país. Nesta época, Joinville já era a cidade mais industrial de Santa Catarina. Aqui havia fábricas de meias, de tecidos de algodão, de velas, de pregos, arame farpado e telas, fósforos, móveis e tinha engenhos de erva-mate, serrarias e um moderno moinho de trigo. A antiga Colônia Dona Francisca foi colonizada por imigrantes suíços e alemães e era conhecida como a cidade da ordem e do trabalho. Artigos em jornais diziam que “o operário joinvilense é feliz e não se prestará nunca a promover desordens grevistas”.
Mas não era bem assim que pensava o trabalhador. Com a eclosão da primeira guerra mundial o país aumentou a exportação de alimentos e os preços dispararam. Para se ter uma ideia da situação, basta ver que entre 1914 e 1923, o salário no país havia subido 71% enquanto o custo de vida aumentou 189%. Portanto, quando a greve em Joinville se espalhou por várias fábricas pegou os empresários desprevenidos. A paralisação se encerrou somente no dia 1º de agosto sob a ameaça de demissão em massa. A historiadora Iara Andrade Costa escreveu que “a notável mobilização geral dos operários” fez com que os empregadores assumissem o compromisso de vender alimentos por preço de custo. Isto foi importante, pois os trabalhadores gastavam 65% dos salários com alimentos.
Como o objetivo fundamental do capitalismo é o lucro, obtido em cima de salários aviltados, os empresários se mobilizaram para evitar que novas paralisações ocorressem. Foram criadas “listas negras”, com o nome de lideranças dos grevistas que não mais conseguiam emprego nas fábricas. Já os trabalhadores tiraram uma grande lição: sem união não se alcança qualquer benefício. E isto ficou evidente ao longo dos cem anos seguintes, quando se conseguiu estipular as oito horas de trabalho por dia, férias, aposentadoria, salário-maternidade, 13º etc. A luta não para, pois agora o Congresso acaba de votar o desmonte da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). No entanto, os trabalhadores saberão dar uma resposta a altura, como fizeram em 1917.
O texto foi muito escrito e falou muito bem das greves. Os trabalhadores vão saber dar uma resposta adequada, isso não tem nem o que discutir. Os trabalhadores sabem o seu valor e não vão perder isso.
ResponderExcluirA greve é a principal arma dos trabalhadores. Ela não deve ser demonizada, como faz a mídia que serve aos patrões.
ExcluirA greve é a principal arma dos trabalhadores. Ela não deve ser demonizada, como faz a mídia que serve aos patrões.
ExcluirA greve é a principal arma dos trabalhadores. Ela não deve ser demonizada, como faz a mídia que serve aos patrões.
ExcluirO mais surpreendente na greve de Joinville foi ela ter acontecido mesmo não havendo qualquer sindicato na cidade Mas a notícia de que os grevistas de São Paulo haviam conseguido uma bela vitória, obtendo 20% de aumento nos salários, inflamou o ânimo dos trabalhadores em vários cantos do país. Nesta época, Joinville já era a cidade mais industrial de Santa Catarina
ResponderExcluirluta não para, pois agora o Congresso acaba de votar o desmonte da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). No entanto, os trabalhadores saberão dar uma resposta a altura, como fizeram em 1917.
A luta não pode parar Elizama. É igual andar de bicicleta: se parar, cai.
ExcluirA luta não pode parar Elizama. É igual andar de bicicleta: se parar, cai.
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