Por Domingos Miranda
O trabalhador é o maior personagem ao longo da história, mas nem sempre é retratado pelos artistas com a dignidade necessária. Mas há as exceções nesta regra, tais como as pinturas de Candido Portinari e as fotos de Sebastião Salgado, que deram o merecido destaque às pessoas humildes que criam a riqueza do mundo. Qual não foi a minha surpresa ao conhecer as fotos de Daniel Machado em uma exposição no Museu de Arte de Joinville. Ali ele mostra, em fotos em preto e branco, a realidade difícil de quem labuta na agricultura familiar do município.
Ao ver as 83 fotos da exposição “AgroCultura” nos lembramos de Sebastião Salgado, pois os homens e mulheres de mãos calejadas estão em primeiro plano. Joinville tem uma realidade específica. A cidade industrial convive com o campo onde predomina a pequena propriedade. São os membros da família de agricultores que trabalham a terra, de onde retiram o seu sustento e produzem o alimento nosso de cada dia. Mas pouco se fala desta gente. Portanto, é salutar quando um fotógrafo mira sua lente para quem age tão anonimamente. Daniel é professor de fotografia na Univille.
Outras duas exposições do fotógrafo estão acontecendo no Estado. Uma no Centro Integrado de Cultura (CIC), “De à cavalo”, sobre os tropeiros de Coxilha Rica, e “Joinville, de Serra e Mar”, na Casa 97, no bairro Iririú, em Joinville. Falando sobre a exposição “AgroCultura”, Daniel explica que “as fotos registram a lida diária dos agricultores e, também as festividades, costumes e tradições”.
Sugiro que as pessoas amantes da arte façam uma visita ao MAJ para conhecer um pouco da realidade do campo de Joinville. A exposição AgroCultura permanece lá até o dia 30 de abril de 2018. Termino com um texto do fotógrafo Henri Cartier-Bresson que define bem esta arte: “De todos os meios de expressão, a fotografia é o único que fixa para sempre o instante preciso e transitório. Nós, fotógrafos, lidamos com coisas que estão continuamente desaparecendo e, uma vez desaparecidas, não há mecanismo no mundo capaz de fazê-las voltar outra vez. Não podemos revelar ou copiar uma memória”.




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