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Livre trânsito para todas as idéias

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Há exatos 100 anos Joinville vivia sua primeira greve

Por Domingos Miranda

Não existe prisão para as ideias, elas circulam livremente. Assim aconteceu em 1917, um dos anos em que a classe operária abalou o mundo e o Brasil. Em março, depois de enormes paralisações nas fábricas de São Petersburgo e Moscou, na Rússia, uma das monarquias mais sanguinárias da Europa foi derrubada. Em outubro daquele mesmo ano, os trabalhadores, sob a liderança de Lênin e do Partido Bolchevique, assumiram o poder. Estes fatos se alastraram como fogo em palha seca, trazendo esperança para os oprimidos de todo o mundo. Em São Paulo, em 9 de julho, os operários de uma fábrica têxtil entraram em greve por melhoria nos salários e nas condições de trabalho. Mesmo com a repressão violenta a paralisação se espalhou e a cidade parou por uma semana. Em 23 de julho, os trabalhadores de Joinville fizeram a sua primeira greve, atingindo várias fábricas.




O mais surpreendente na greve de Joinville foi ela ter acontecido mesmo não havendo qualquer sindicato na cidade. Mas a notícia de que os grevistas de São Paulo haviam conseguido uma bela vitória, obtendo 20% de aumento nos salários, inflamou o ânimo dos trabalhadores em vários cantos do país. Nesta época, Joinville já era a cidade mais industrial de Santa Catarina. Aqui havia fábricas de meias, de tecidos de algodão, de velas, de pregos, arame farpado e telas, fósforos, móveis e tinha engenhos de erva-mate, serrarias e um moderno moinho de trigo. A antiga Colônia Dona Francisca foi colonizada por imigrantes suíços e alemães e era conhecida como a cidade da ordem e do trabalho. Artigos em jornais diziam que “o operário joinvilense é feliz e não se prestará nunca a promover desordens grevistas”.



Mas não era bem assim que pensava o trabalhador. Com a eclosão da primeira guerra mundial o país aumentou a exportação de alimentos e os preços dispararam. Para se ter uma ideia da situação, basta ver que entre 1914 e 1923, o salário no país havia subido 71% enquanto o custo de vida aumentou 189%. Portanto, quando a greve em Joinville se espalhou por várias fábricas pegou os empresários desprevenidos. A paralisação se encerrou somente no dia 1º de agosto sob a ameaça de demissão em massa. A historiadora Iara Andrade Costa escreveu que “a notável mobilização geral dos operários” fez com que os empregadores assumissem o compromisso de vender alimentos por preço de custo. Isto foi importante, pois os trabalhadores gastavam 65% dos salários com alimentos.

Como o objetivo fundamental do capitalismo é o lucro, obtido em cima de salários aviltados, os empresários se mobilizaram para evitar que novas paralisações ocorressem. Foram criadas “listas negras”, com o nome de lideranças dos grevistas que não mais conseguiam emprego nas fábricas. Já os trabalhadores tiraram uma grande lição: sem união não se alcança qualquer benefício. E isto ficou evidente ao longo dos cem anos seguintes, quando se conseguiu estipular as oito horas de trabalho por dia, férias, aposentadoria, salário-maternidade, 13º etc. A luta não para, pois agora o Congresso acaba de votar o desmonte da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). No entanto, os trabalhadores saberão dar uma resposta a altura, como fizeram em 1917.

7 comentários:

  1. O texto foi muito escrito e falou muito bem das greves. Os trabalhadores vão saber dar uma resposta adequada, isso não tem nem o que discutir. Os trabalhadores sabem o seu valor e não vão perder isso.

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    1. A greve é a principal arma dos trabalhadores. Ela não deve ser demonizada, como faz a mídia que serve aos patrões.

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    2. A greve é a principal arma dos trabalhadores. Ela não deve ser demonizada, como faz a mídia que serve aos patrões.

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    3. A greve é a principal arma dos trabalhadores. Ela não deve ser demonizada, como faz a mídia que serve aos patrões.

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  2. O mais surpreendente na greve de Joinville foi ela ter acontecido mesmo não havendo qualquer sindicato na cidade Mas a notícia de que os grevistas de São Paulo haviam conseguido uma bela vitória, obtendo 20% de aumento nos salários, inflamou o ânimo dos trabalhadores em vários cantos do país. Nesta época, Joinville já era a cidade mais industrial de Santa Catarina
    luta não para, pois agora o Congresso acaba de votar o desmonte da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). No entanto, os trabalhadores saberão dar uma resposta a altura, como fizeram em 1917.

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    1. A luta não pode parar Elizama. É igual andar de bicicleta: se parar, cai.

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    2. A luta não pode parar Elizama. É igual andar de bicicleta: se parar, cai.

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