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Livre trânsito para todas as idéias

domingo, 9 de julho de 2017

A verdade custa a aparecer

Domingos Miranda

No meio desta catástrofe surgida após o golpe que destituiu Dilma Roussef da presidência surge um fato positivo. As pessoas mais esclarecidas passaram a ver como funciona as entranhas do poder. Mesmo que o jornalismo oficial tenta passar uma visão mais amena da situação, não há como deixar de sentir o odor fétido de um corpo que começa a entrar em putrefação. Há de tudo nesta trama mafiosa, desde políticos envolvidos com o tráfico de drogas, passando pela interferência da CIA e FBI nos destinos do país até a compra despudorada dos votos de deputados na busca de seus interesses. A cereja neste bolo é a participação aberta da grande mídia neste complô. Ao invés de mostrar os fatos o jornalismo passou a fazer parte da política. E aí a verdade é escamoteada.

Chacrinha tinha um velho bordão: na televisão nada se cria, tudo se copia. Na política não é diferente. Sabemos que a interferência americana no Brasil é coisa antiga. Aqui quero recordar o que aconteceu na administração do presidente Ronald Reagan, na década de 80. Anticomunista fanático, Reagan burlou a lei para financiar grupos de mercenários, conhecidos como Contras, que eram uma espécie de Estado Islâmico latino-americano. Os contras praticavam todo tipo de terrorismo no território da Nicarágua na tentativa de derrubar o governo sandinista, que assumiu o poder após a vitória da guerrilha, em 1979. A família Somoza, colocada no poder na década de 30 pelos EUA, foi responsável por uma das ditaduras mais violentas do mundo. Então era necessário arrumar dinheiro por debaixo do pano para financiar “os guerrilheiros da liberdade”, pois o Congresso americano havia proibido qualquer tipo de ajuda a estes criminosos.


Uma das saídas foi a venda clandestina de armas para o Irã, cujo governo dos aiatolás era considerado o maior inimigo dos americanos. O dinheiro desta transação era repassado através de contas secretas para os contras. O coronel americano Oliver North foi o responsável por esta transação e se tornou o queridinho da imprensa quando foi obrigado a prestar declarações na CPI do Congresso. Mas, havia um outro tipo de financiamento aos contras e que veio a público somente em 1996. A CIA passou a ser cúmplice no contrabando de toneladas de cocaína a ser vendida nos Estados Unidos. A denúncia foi feita pelo jornalista Gary Webb, no jornal San José Mercury News.

Diferentemente do que aconteceu vinte anos antes, quando os jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, do Washington Post, denunciaram as falcatruas do presidente Nixon e se tornaram heróis nacionais, a vida de Webb virou um inferno após denunciar o envolvimento da CIA com o tráfico. Ele foi demitido de seu jornal e não conseguiu arrumar um novo emprego. Pouco tempo depois o jornalista apareceu morto. O caso virou filme, “O Mensageiro” (Kill the Menseger), que trata da vida de Gary Webb e sua investigação. O economista Paul Krugman, ao fazer um comentário sobre o filme, botou o dedo numa ferida bem atual e disse que a grande mídia hoje faz política, não jornalismo.

Esta ligação da CIA com narcotraficantes voltou a ser manchete por ocasião da guerra aos barões da cocaína no México. A tevê Al Jazzeera, uma das mais prestigiadas do mundo, publicou declaração de um funcionário do governo do Estado de Chihuahua, na fronteira com os EUA, mostrando que a agência de informações americana “não luta contra os traficantes, os administra”. Guillermo Terrazas Villanueva, coordenador de comunicação de Chihuahua, não foi desmentido.

Portanto, voltando ao Brasil, quando vemos os narcotraficantes obtendo cada vez mais espaço na sociedade, passamos a indagar se não há os tentáculos da CIA nesta história? Por que escolheram para ministro da Justiça um advogado do PCC e que depois foi conduzido ao Supremo Tribunal Federal (STF)? Porque a Justiça não pune com rigor os envolvidos no transporte de centenas de quilos de cocaína? Por que seriam de políticos? A imprensa abandonou o seu papel investigativo, pois faz parte do complô. Alguns que foram mais a fundo nesta questão tiveram destino semelhante ao do jornalista americano Gary Webb. O presidente Lincoln dizia que “não há como esconder a verdade por todo o tempo”. Ligando um fato com os outros começamos a visualizar os contornos macabros dos reais objetivos que levaram ao impeachment de Dilma. Um dia a história contará a verdade.

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