Domingos Miranda
No artigo anterior comentei sobre a violência que permeia a sociedade brasileira. Agora quero falar das torturas praticadas contra animais, encaradas com naturalidade por muita gente. Um destes exemplos é a farra do boi, uma tradição trazida pelos imigrantes açorianos e ainda bastante praticada no litoral de Santa Catarina. Durante a semana santa soltam-se bovinos famintos pelas ruas enquanto os moradores agridem os animais com todo tipo de objeto até matá-los. Mesmo sendo uma atividade ilegal, os praticantes se esquivam da polícia e põem para fora seus instintos assassinos.
Leonardo da Vinci, há mais de 400 anos, já dizia: “Chegará o dia em que todo homem conhecerá o íntimo de um animal. E neste dia, todo o crime contra o animal será um crime contra a humanidade”. E, pelo visto, ainda vai demorar muito tempo para que isto aconteça. A farra do boi é irmã de uma outra apologia da tortura, a tourada. É incrível verificar que pessoas sintam prazer com o sofrimento de animais. Não sei dizer se são resquícios genéticos trazidos do período pré-histórico.
Quando alguma aberração acontece com muita frequência a sociedade acaba encarando-a com certa naturalidade. Quando criança, ficava chocado quando ajudava meu pai na matança de porcos. Aquele som do suíno no estertor da morte ainda está presente na minha memória mesmo passado mais de meio século. Quando adulto, acompanhei, como jornalista, o abate de um boi em um abatedouro. O magarefe levantou uma marreta e bateu na cabeça do boi que caiu atordoado. Com ele ainda vivo, cortou a sua jugular, espalhando sangue para todo lado. Saí de lá com vontade de vomitar. Não aceito que religião sacrifique animais. Está em contradição com o que pregam todas as crenças, um Deus todo misericordioso.
Na pecuária moderna também acontecem absurdos. Os criadores separam as crias de suas mães, quando não as matam. Mesmo os animais domésticos não estão livres. Os shoppings costumam colocar os filhotes em gaiolas, longe das mães, para que possam ser observados por futuros compradores. Eu já vi crueldades mais aberrantes. Uma delas foi um cão labrador com as costas em pele viva, pois haviam despejado óleo fervente para torturá-lo. Outro caso aconteceu há cerca de cinco anos. Perto de onde eu morava tinha um depósito da prefeitura e, sempre que ia a pé ao supermercado, dois cães que ficavam naquela região me acompanhavam. Certo dia um funcionário da prefeitura resolveu enterrar vivo os dois cachorros, o que acabou gerando uma sindicância.
Os animais estão aí para serem admirados e, alguns deles, nos prestam inestimáveis serviços. Como seres racionais, deveríamos respeitá-los. O antropocentrismo fracassou. Ou mudamos a nossa maneira de tratar as outras espécies ou o futuro da humanidade estará ameaçado. Não precisa ser vidente para entender esta questão.
No artigo anterior comentei sobre a violência que permeia a sociedade brasileira. Agora quero falar das torturas praticadas contra animais, encaradas com naturalidade por muita gente. Um destes exemplos é a farra do boi, uma tradição trazida pelos imigrantes açorianos e ainda bastante praticada no litoral de Santa Catarina. Durante a semana santa soltam-se bovinos famintos pelas ruas enquanto os moradores agridem os animais com todo tipo de objeto até matá-los. Mesmo sendo uma atividade ilegal, os praticantes se esquivam da polícia e põem para fora seus instintos assassinos.
Leonardo da Vinci, há mais de 400 anos, já dizia: “Chegará o dia em que todo homem conhecerá o íntimo de um animal. E neste dia, todo o crime contra o animal será um crime contra a humanidade”. E, pelo visto, ainda vai demorar muito tempo para que isto aconteça. A farra do boi é irmã de uma outra apologia da tortura, a tourada. É incrível verificar que pessoas sintam prazer com o sofrimento de animais. Não sei dizer se são resquícios genéticos trazidos do período pré-histórico.
Quando alguma aberração acontece com muita frequência a sociedade acaba encarando-a com certa naturalidade. Quando criança, ficava chocado quando ajudava meu pai na matança de porcos. Aquele som do suíno no estertor da morte ainda está presente na minha memória mesmo passado mais de meio século. Quando adulto, acompanhei, como jornalista, o abate de um boi em um abatedouro. O magarefe levantou uma marreta e bateu na cabeça do boi que caiu atordoado. Com ele ainda vivo, cortou a sua jugular, espalhando sangue para todo lado. Saí de lá com vontade de vomitar. Não aceito que religião sacrifique animais. Está em contradição com o que pregam todas as crenças, um Deus todo misericordioso.
Na pecuária moderna também acontecem absurdos. Os criadores separam as crias de suas mães, quando não as matam. Mesmo os animais domésticos não estão livres. Os shoppings costumam colocar os filhotes em gaiolas, longe das mães, para que possam ser observados por futuros compradores. Eu já vi crueldades mais aberrantes. Uma delas foi um cão labrador com as costas em pele viva, pois haviam despejado óleo fervente para torturá-lo. Outro caso aconteceu há cerca de cinco anos. Perto de onde eu morava tinha um depósito da prefeitura e, sempre que ia a pé ao supermercado, dois cães que ficavam naquela região me acompanhavam. Certo dia um funcionário da prefeitura resolveu enterrar vivo os dois cachorros, o que acabou gerando uma sindicância.
Os animais estão aí para serem admirados e, alguns deles, nos prestam inestimáveis serviços. Como seres racionais, deveríamos respeitá-los. O antropocentrismo fracassou. Ou mudamos a nossa maneira de tratar as outras espécies ou o futuro da humanidade estará ameaçado. Não precisa ser vidente para entender esta questão.
Nenhum comentário:
Postar um comentário