por Valdete Daufemback
Depois que comecei a trabalhar sob a proteção das normas da Consolidação das Leis do Trabalho (Registro em Carteira), este foi o 1º de Maio, o Dia do Trabalhador, que passei sem visualizar qualquer perspectiva às gerações vindouras e sem motivação para homenagens pelas conquistas da ampliação de direitos obtidos nas últimas décadas após a promulgação da Carta Magna de 1988, a Constituição cidadã, a qual abriu possibilidades de sonhar com um país mais justo com a aplicação de políticas públicas. Muito pelo contrário, o dia foi de recolhimento e reflexão na tentativa de entender como em tão pouco tempo chegamos a este retrocesso com a rápida retirada de direitos que levaram décadas (praticamente um século) para serem constituídos.
Éric Hobsbawm, no final do século XX, sinalizou que a política neoliberal teria facilidade em triunfar porque toda uma geração que emergiu a partir da política de Estado de Bem Estar Social estaria muito ocupada em consumir, enquanto os governos tratariam de eleger reformas ao gosto dos capitalistas. As condições econômicas da classe média projetaram para o individualismo deixando para trás toda uma história de lutas por direitos que se construiu na coletividade.
A geração que nasceu com os direitos reservados, talvez leve mais tempo para entender o significado das reformas trabalhistas e previdenciárias que, alguns menos avisados, ou mal intencionados, as denominam de atualização dos direitos. A sua retirada, para quem está iniciando no mundo do trabalho, parece não trazer consequências danosas porque a visão sobre a aposentadoria se encontra tão distante, que para o espírito jovem, esta não é a preocupação do momento. Por isso, torna-se compreensível que alguns jovens acreditam na reversão desse quadro com a eleição de um novo presidente da República.
Os direitos trabalhistas urbanos foram conquistados aos poucos, desde o início do século XX, por meio de muita luta. E com a promulgação da CF/88, os direitos trabalhistas e previdenciários se estenderam para novas categorias, assim como novos direitos foram constituídos a partir de políticas públicas, como o SUS. Até esse período, os trabalhadores rurais, entende-se famílias rurais, não tinham o direito à aposentadoria, em especial, as mulheres, pois estavam excluídas do sistema previdenciário. Importante mencionar que o direito à aposentadoria por idade e os programas de governo, como o Pronaf, deram um alento à agricultura familiar porque conseguiram estimular os jovens a permanecerem no campo e, assim, manter a reprodução social da cultura agrária.
Mas estes direitos conquistados ao longo de um século de lutas, se depender dos governantes, dos legisladores e do judiciário, estão ameaçados para satisfazer a ganância dos capitalistas que, provavelmente, financiarão as próximas campanhas eleitorais. Trata-se de uma manobra para concentrar ainda mais o capital enquanto acelera o processo de desumanização do trabalhador, agora submetido por completo às vontades do empregador.
Resta aos trabalhadores a resistência. Todos nós perdemos com este poder conservador que golpeou a democracia. É melhor acordar para esta realidade. A barbárie foi legitimada judicialmente e está em qualquer lugar pronta para agir. Mas assim mesmo, diante das evidências de um tempo sombrio, há quem diga que o problema é o Lula.
Depois que comecei a trabalhar sob a proteção das normas da Consolidação das Leis do Trabalho (Registro em Carteira), este foi o 1º de Maio, o Dia do Trabalhador, que passei sem visualizar qualquer perspectiva às gerações vindouras e sem motivação para homenagens pelas conquistas da ampliação de direitos obtidos nas últimas décadas após a promulgação da Carta Magna de 1988, a Constituição cidadã, a qual abriu possibilidades de sonhar com um país mais justo com a aplicação de políticas públicas. Muito pelo contrário, o dia foi de recolhimento e reflexão na tentativa de entender como em tão pouco tempo chegamos a este retrocesso com a rápida retirada de direitos que levaram décadas (praticamente um século) para serem constituídos.
Éric Hobsbawm, no final do século XX, sinalizou que a política neoliberal teria facilidade em triunfar porque toda uma geração que emergiu a partir da política de Estado de Bem Estar Social estaria muito ocupada em consumir, enquanto os governos tratariam de eleger reformas ao gosto dos capitalistas. As condições econômicas da classe média projetaram para o individualismo deixando para trás toda uma história de lutas por direitos que se construiu na coletividade.
A geração que nasceu com os direitos reservados, talvez leve mais tempo para entender o significado das reformas trabalhistas e previdenciárias que, alguns menos avisados, ou mal intencionados, as denominam de atualização dos direitos. A sua retirada, para quem está iniciando no mundo do trabalho, parece não trazer consequências danosas porque a visão sobre a aposentadoria se encontra tão distante, que para o espírito jovem, esta não é a preocupação do momento. Por isso, torna-se compreensível que alguns jovens acreditam na reversão desse quadro com a eleição de um novo presidente da República.
Os direitos trabalhistas urbanos foram conquistados aos poucos, desde o início do século XX, por meio de muita luta. E com a promulgação da CF/88, os direitos trabalhistas e previdenciários se estenderam para novas categorias, assim como novos direitos foram constituídos a partir de políticas públicas, como o SUS. Até esse período, os trabalhadores rurais, entende-se famílias rurais, não tinham o direito à aposentadoria, em especial, as mulheres, pois estavam excluídas do sistema previdenciário. Importante mencionar que o direito à aposentadoria por idade e os programas de governo, como o Pronaf, deram um alento à agricultura familiar porque conseguiram estimular os jovens a permanecerem no campo e, assim, manter a reprodução social da cultura agrária.
Mas estes direitos conquistados ao longo de um século de lutas, se depender dos governantes, dos legisladores e do judiciário, estão ameaçados para satisfazer a ganância dos capitalistas que, provavelmente, financiarão as próximas campanhas eleitorais. Trata-se de uma manobra para concentrar ainda mais o capital enquanto acelera o processo de desumanização do trabalhador, agora submetido por completo às vontades do empregador.
Resta aos trabalhadores a resistência. Todos nós perdemos com este poder conservador que golpeou a democracia. É melhor acordar para esta realidade. A barbárie foi legitimada judicialmente e está em qualquer lugar pronta para agir. Mas assim mesmo, diante das evidências de um tempo sombrio, há quem diga que o problema é o Lula.
Excelente artigo pois toca numa questão angustiante dos tempos atuais, a alienação de parcela dos jovens sobre os efeitos danosos que estas mudanças causarão nos direitos trabalhistas e no plao previdenciário. Foi muito feliz a citação do Hobsbawm sobre o estrago do consumismo na conscientização das pessoas. Parabéns Valdete.
ResponderExcluirExcelente artigo pois toca numa questão angustiante dos tempos atuais, a alienação de parcela dos jovens sobre os efeitos danosos que estas mudanças causarão nos direitos trabalhistas e no plao previdenciário. Foi muito feliz a citação do Hobsbawm sobre o estrago do consumismo na conscientização das pessoas. Parabéns Valdete.
ResponderExcluir