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domingo, 14 de maio de 2017

O bom senso foi para o espaço

Por Domingos Miranda

A corrida espacial marcou o mundo científico no século 20. O clube dos países dominadores do espaço foi democratizado. Antes restrito aos Estados Unidos e União Soviética, hoje até nações de menor porte econômico como Índia e Irã colocam seus satélites em órbita. Quanto ao Brasil, entre altos e baixos, não conseguiu ainda chegar à estratosfera. Preferiu optar pela propaganda ao invés de buscar saídas eficientes. Faltou bom senso.



Na ilustração, a base espacial de Alcântara, antes e depois da explosão.

No início de maio o primeiro e único astronauta brasileiro, Marcos Pontes, veio a Joinville dar palestra para empresários na Expogestão. O agora empresário falou de como alcançar sucesso, mas não citou que a sua viagem ao espaço foi um dos maiores equívocos da Agência Espacial Brasileira, que gastou 40 milhões de dólares no projeto para enviar Pontes ao espaço. Ele fez seus treinamentos, entre 1998 e 2000, no Centro Espacial Lindon Johnson, em Houston (EUA). Como o voo orbital com o brasileiro estava demorando a sair, a AEB assinou acordo com a Agência Espacial da Federação Russa (Roscosmo), em 2005. No ano seguinte Pontes participava com mais dois colegas russo e americano da missão espacial na nave Soyuz TMA-8. O brasileiro aproveitou para fazer pesquisas com feijão na Estação Espacial Internacional durante dez dias.

No ano do centenário do primeiro voo de avião, o 14Bis, de Santos Dumont, Marcos Pontes virou herói nacional. Ninguém mais falava do pouco enigmático acidente na Base de Alcântara, no Maranhão, quando estava se preparando para lançar o foguete Veículo Lançador de Satélites (VLS). Em alguns segundos, a explosão destruía o foguete de 21 metros de altura e que colocaria em órbita dois satélites. O pior de tudo é que morreram neste acidente 21 engenheiros e técnicos altamente especializados, o que representava 80% da fina flor da inteligência espacial brasileira. Passados 14 anos desta tragédia, o Brasil ainda não se recuperou deste suposto atentado, pois os Estados Unidos não queriam de forma alguma que nosso país continuasse com este projeto. Um antigo diretor do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI), previu com um ano de antecedência que o foguete não seria lançado ou haveria falhas.

Já para o nosso astronauta, a sorte, ou senso de oportunismo, lhe acompanhou. Pouco tempo depois de retornar do espaço, Pontes pediu baixa da Força Aérea Brasileira, foi morar com a família em Houston e passou a dar palestras no mundo todo. Na mesma semana em que ele expunha suas ideias em Joinville, o Brasil colocava em órbita um satélite de comunicação geoestacionário, lançado da base aérea de Kourou, na Guiana Francesa, gastando milhões de dólares de aluguel com o foguete francês. O pior da história é que a Base Aeroespacial de Alcântara, que tem posição privilegiada, está às moscas e já se fala em arrendá-la para os americanos.

O bom senso nos abandonou faz tempo. Em 2020 o mercado para colocar satélites em órbita vai girar em torno de 50 bilhões de dólares. Com os 40 milhões de dólares gastos para enviar um astronauta no espaço daria para se construir um foguete brasileiro. Mas se optou por uma ação que servia mais a interesses propagandísticos. Agora um erro muito mais grave ameaça se concretizar, o de ceder à maior potência militar do planeta a nossa base espacial no Maranhão. Neste caso não digo que falta bom senso, mas, sim, estarão praticando um ato de traição nacional. Se tal equívoco se consumar, estaremos abdicando da mais importante disputa do século 21, a conquista do espaço.

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