Os últimos cem anos foram marcados por símbolos que ficaram entranhados em nossa memória. E um dos mais fortes é o 1º de Maio, mostrado em todo o mundo como a data que simboliza a luta contra a opressão no local de trabalho. A data surgiu em função do 1º de maio de 1886, quando 200 mil trabalhadores entraram em greve em Chicago, nos EUA, reivindicando a redução da jornada de trabalho para oito horas diárias. Houve forte repressão nos dias seguintes com vários mortos e feridos. Pouco tempo depois oito líderes grevistas foram presos e quatro executados na forca. Em 1891, o governador de Ohio suspendeu o processo contra os oito de Chicago, que foram considerados inocentes. A partir daquele ano a Internacional Socialista, em Bruxelas, escolheu o 1º de Maio como o dia da luta por melhores condições de trabalho.
Nossa classe dirigente é inteligente e quando não consegue suprimir alguma coisa que a desagrade tenta passar um verniz e mudar o seu significado. Assim, a partir da década de 30 o Estado vem tentando transformar o significado desta data. Para o governo, o 1º de Maio deixou de ser o Dia do Trabalhador para se transformar no Dia do Trabalho. Existe uma enorme diferença de conteúdo entre trabalhador e trabalho. O objetivo disto, em primeiro lugar, era promover o congraçamento de classes, o que é uma falácia, pois os interesses de patrões e empregados são opostos. O lado mais forte tenta aumentar o lucro enquanto os trabalhadores exigem melhores salários e condições de trabalho dignas.
Um outro objetivo por trás destas mudanças era enfraquecer os sindicatos mais combativos e dar força ao sindicalismo pelego, aquele que defendia o interesse do patrão . Era a velha tática usada pelo império romano para derrotar os inimigos: dividir o lado adversário. Passaram-se os anos, passaram-se as ditaduras e a luta continua mais árdua do que antes, com os mesmos artifícios para apagar o ímpeto de revolta das classes laboriosas.
Hoje, na maioria das cidades brasileiras, o 1º de Maio se transformou em um convescote, com shows de música sertaneja, apresentação de artistas famosos e sorteio de carros. Algumas destas festas são promovidas pelos patrões, o que, por si só, é uma contradição. E isto ocorre no momento em que a luta de classes se acirra, onde os direitos trabalhistas são vilipendiados e os trabalhadores realizam a maior greve geral da nossa história contra estes abusos.
O 1º de Maio deve ser um momento de luta e de conscientização. Não adianta querer esconder a realidade dos trabalhadores. São momentos difíceis para quem depende do trabalho, mas é na escuridão que a luz faz a diferença. Se unirmos forças em prol de um Brasil mais justo teremos condições de tirar o país deste atoleiro, com 14 milhões de desempregados. Nesta data vamos refletir qual o melhor caminho a seguir. Basta verificar que nenhum dos atuais benefícios, como oito horas de jornada de trabalho, férias, salário desemprego e 13º salário, foram alcançados sem muita luta. Outras conquistas virão. Nada de desânimo, pois o futuro pertence aos trabalhadores, responsáveis por toda a riqueza produzida no planeta.

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