O QUE É ZARCO LIVRE?

Zarco é uma gíria usada pelos moradores de Joinville para ônibus. Portanto, o Zarco Livre está aberto para transportar o leitor a novas ideias, tendo como parâmetro o respeito à democracia, à verdade e à dignidade humana.

Livre trânsito para todas as idéias

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Falsas verdades se desmancham no ar

Por Valdete Daufenback

Tenho que concordar, entender a política brasileira não é para amadores. Na atual conjuntura parece que em fração de segundos cada tese formulada se “desmancha no ar”. A velocidade dos acontecimentos e a maneira como tudo se processa no noticiário provocam na população uma sensação de insegurança, especialmente para quem tem baixa imunidade às oscilações políticas por ter sido educado a acreditar em “verdades absolutas” e ignorar a compreensão da democracia.

O Brasil, como um país de tradição religiosa, criador de figuras heroicas, mantém seus cidadãos dependentes de crenças ensinadas por instituições conservadoras (igrejas, escolas) que há séculos repassam valores definidos pelo Estado liberal controlado pelo poder das elites. Esta metodologia disciplinadora e pregadora de falsas verdades se mantém desde os Jesuítas e, nas últimas décadas sabiamente foi apropriada pela mídia.

Em 2013 o cientista político Ernesto Seidt publicou um trabalho de pesquisa sobre a manutenção das elites no Brasil. Ao contrário do que se costumava acreditar, não existe uma elite que se mantém no poder, mas uma pluralidade de elites que disputam o poder entre si. São grupos pertencentes a diferentes esferas sociais, cada qual com seu capital, seja econômico, político, cultural, ou social. Porém, no final das contas, a reprodução ou manutenção destas elites dependem de um conjunto de recursos econômicos, embora tentam nos convencer que se trata de um prestígio concebido a partir do princípio da meritocracia.

Neste momento estamos presenciando uma “briga de gigantes”. Cada elite se defende como pode para salvar o seu capital, seja qual for, mesmo que seja por meio da delação, ou se retirando do partido que até então defendia com unhas e dentes por ter o “melhor candidato” a ser escolhido para assumir à presidência da República, ou apagando as imagens que comprometem a vida pública para não dar margem ao julgamento: “diga-me com quem andas e dir-te-ei quem és”, ou ainda, na melhor das estratégicas, se escondendo como pode com seu rubro rosto envergonhado.

Costuma-se dizer que nos momentos de crise surgem as melhores oportunidades de negócios e despertam o sensor da criatividade. Se isso for real, o Brasil nunca teve tantas oportunidades para mostrar o seu potencial criativo e econômico. Muitos já estão exercendo esta oportunidade ao indicar a criação de novos partidos políticos com propostas que fogem à ideia de democracia política, apostando na redução do Estado e na iniciativa privada como agente regulador da economia. Acreditam que assim o país ficará livre de corrupção. Claro, para o capital não há limites, tudo será permitido, até mesmo a exploração do trabalho elevada à potência da exaustão humana. Na livre iniciativa não há espaço para o conceito corrupção. Neste caso, garantem, o problema é o Estado.

Mas isso tudo é uma opção para as elites. Aos demais, aqueles decepcionados porque durante algum tempo apostaram nas batidas das panelas, nas ruas a exigir o fim de um partido que consideravam ser o único corrupto, agora, com caras de patinhos feios, sem a proteção daqueles “políticos honestos” e dos “heróis” caçadores de corruptos, buscam uma saída honrosa ao alegar que na política “são tudo farinha do mesmo saco”, ou vestem a camisa de uma figura com tendência ao fascismo e que promete limpar o país armando a sociedade. Pobres seguidores a acreditar em mais uma falsa verdade! Sem capital que lhes possibilite o desenvolvimento da reflexão, antes que percebam poderão estar na mira da dita limpeza. Afinal, no mundo da meritocracia quem não consegue fazer parte de uma das elites demonstra que não se esforçou o suficiente ou é inapto de potencial criativo para disputar oportunidades na iniciativa privada, não é mesmo?

A crença em falsas verdades pode ser uma autodefesa praticada pela resistência em abrir espaço à reflexão.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Alegria do Amor em todas as suas manifestações

Por Elza Daufenbach

Etimologicamente, crise (krísis) significa um momento difícil e decisivo. O momento da mudança, da tomada de decisão. Para a medicina grega antiga era o período em que o doente, depois de medicado, iria viver ou morrer. Seguindo este raciocínio, a igreja católica é uma sobrevivente de vinte séculos de múltiplas crises, ocasionadas por guerras, perda de territórios, traições, rupturas internas, dissidências, quebra de hegemonia entre outras. Mas desde a industrialização dos países que formam a cristandade, uma “doença” rara tem se tornado recorrente: o descolamento entre doutrina e realidade empírica. Em outras palavras, o “mal silencioso” da falta de sentido entre religião e vida concreta, causador da perda de adeptos.

Visando resolver a atual crise de sentido por qual passa o catolicismo, a cúpula da igreja tem se empenhado em tecer uma atualização exegética que coloque a igreja em sintonia com o cotidiano. Ou seja, uma revisão de certos parâmetros ou, ainda, a renegociação de algumas de suas verdades. Seria apenas uma velha receita da igreja como condição de sobrevivência se a pessoa responsável por realizar este aggiornamento não fosse Jorge Mario Bergoglio, o carismático Papa Francisco.

Numa linguagem weberiana, Francisco se aproxima do “tipo ideal” de cristão, justamente porque contém em si os atributos mais puros do discurso cristão: humildade, compaixão, compromisso com a justiça, fé, e uma profunda identificação com os marginalizados da sociedade (seja por miséria ou por preconceito). Acrescentem-se ainda as qualidades pessoais da empatia, inteligência, diplomacia e bom humor. Tem-se aí um paradoxo: o fato de ser um papa o detentor deste conjunto de atributos cristãos o torna historicamente um “estranho no ninho”, levando as pessoas mais atentas às questões eclesiais a sentir espanto e surpresa com os seus pronunciamentos, gestos e decisões. É estranho que o esperado de um papa seja justamente o não esperado de um papa. É estranho que tanta coerência entre o discursivo e o vivenciado nos pareça estranho. Francisco surpreende.

Uma das surpresas do papado de Francisco chama-se “Amoris Laetitia”. A exortação eclesiástica “Alegria do Amor” versa sobre a família. Pode inclusive ser entendida como “não muito diferente” do que já foi escrito; mas isto se o leitor for preguiçoso e/ou conservador. Alguém com preguiça de pensar não entenderá as mudanças de paradigmas propostas no documento; já um conservador irá se posicionar contrário à estas mudanças e lutará para entender tudo metaforicamente, conforme costuma ser a escrita eclesiástica. (É claro que desde a industrialização tivemos uma “revolução” eclesial semelhante, chamada Concílio Vaticano II. Porém, o Vaticano II foi a “Revolução dos Cravos” da igreja católica: sonhado, vivido e abandonado. No entanto (assim como Portugal), o catolicismo não foi mais o mesmo depois dele).

Em Amoris Laeticia, pode-se dizer que Francisco acolheu as sugestões mais progressistas do alto clero progressista, inclusive retomando temas do Vaticano II. É uma exortação totalmente inclusiva. De início Francisco critica o costume da Igreja de recusar uma realidade para mais tarde incluir. A partir desta observação imprime-se uma expressiva renegociação do conceito de família como verdade eclesial: cai a hegemonia da família estrutural para acolher a família funcional. Ou seja, Francisco insere como válido para a Igreja Católica toda a forma de amor familiar, sem discriminação. Surpreendente!

domingo, 14 de maio de 2017

O bom senso foi para o espaço

Por Domingos Miranda

A corrida espacial marcou o mundo científico no século 20. O clube dos países dominadores do espaço foi democratizado. Antes restrito aos Estados Unidos e União Soviética, hoje até nações de menor porte econômico como Índia e Irã colocam seus satélites em órbita. Quanto ao Brasil, entre altos e baixos, não conseguiu ainda chegar à estratosfera. Preferiu optar pela propaganda ao invés de buscar saídas eficientes. Faltou bom senso.



Na ilustração, a base espacial de Alcântara, antes e depois da explosão.

No início de maio o primeiro e único astronauta brasileiro, Marcos Pontes, veio a Joinville dar palestra para empresários na Expogestão. O agora empresário falou de como alcançar sucesso, mas não citou que a sua viagem ao espaço foi um dos maiores equívocos da Agência Espacial Brasileira, que gastou 40 milhões de dólares no projeto para enviar Pontes ao espaço. Ele fez seus treinamentos, entre 1998 e 2000, no Centro Espacial Lindon Johnson, em Houston (EUA). Como o voo orbital com o brasileiro estava demorando a sair, a AEB assinou acordo com a Agência Espacial da Federação Russa (Roscosmo), em 2005. No ano seguinte Pontes participava com mais dois colegas russo e americano da missão espacial na nave Soyuz TMA-8. O brasileiro aproveitou para fazer pesquisas com feijão na Estação Espacial Internacional durante dez dias.

No ano do centenário do primeiro voo de avião, o 14Bis, de Santos Dumont, Marcos Pontes virou herói nacional. Ninguém mais falava do pouco enigmático acidente na Base de Alcântara, no Maranhão, quando estava se preparando para lançar o foguete Veículo Lançador de Satélites (VLS). Em alguns segundos, a explosão destruía o foguete de 21 metros de altura e que colocaria em órbita dois satélites. O pior de tudo é que morreram neste acidente 21 engenheiros e técnicos altamente especializados, o que representava 80% da fina flor da inteligência espacial brasileira. Passados 14 anos desta tragédia, o Brasil ainda não se recuperou deste suposto atentado, pois os Estados Unidos não queriam de forma alguma que nosso país continuasse com este projeto. Um antigo diretor do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI), previu com um ano de antecedência que o foguete não seria lançado ou haveria falhas.

Já para o nosso astronauta, a sorte, ou senso de oportunismo, lhe acompanhou. Pouco tempo depois de retornar do espaço, Pontes pediu baixa da Força Aérea Brasileira, foi morar com a família em Houston e passou a dar palestras no mundo todo. Na mesma semana em que ele expunha suas ideias em Joinville, o Brasil colocava em órbita um satélite de comunicação geoestacionário, lançado da base aérea de Kourou, na Guiana Francesa, gastando milhões de dólares de aluguel com o foguete francês. O pior da história é que a Base Aeroespacial de Alcântara, que tem posição privilegiada, está às moscas e já se fala em arrendá-la para os americanos.

O bom senso nos abandonou faz tempo. Em 2020 o mercado para colocar satélites em órbita vai girar em torno de 50 bilhões de dólares. Com os 40 milhões de dólares gastos para enviar um astronauta no espaço daria para se construir um foguete brasileiro. Mas se optou por uma ação que servia mais a interesses propagandísticos. Agora um erro muito mais grave ameaça se concretizar, o de ceder à maior potência militar do planeta a nossa base espacial no Maranhão. Neste caso não digo que falta bom senso, mas, sim, estarão praticando um ato de traição nacional. Se tal equívoco se consumar, estaremos abdicando da mais importante disputa do século 21, a conquista do espaço.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Verdades eclesiais


Por Elza Daufenbach

As verdades sempiternas constituem a matéria prima das religiões em si mesmas. No cristianismo estas verdades estão registradas nos textos bíblicos e, juntas, formam “A Verdade”. Ocorre que tais registros não passariam de meros registros sem o necessário proselitismo. Ocorre, também, que os textos que formam as Escrituras contêm enorme quantidade de símbolos, códigos, lacunas e contradições que os tornam ilegíveis se desarticulados do sentido que se quer imprimir a eles. Portanto, antes do prosélito necessita-se do hermeneuta, daquele que tornará legível ao ser humano a escrita de deus. De hermeneutas e prosélitos são feitas as igrejas, o braço burocrático da Palavra divina. Neste texto tratarei da igreja católica, a mais antiga burocracia da religião cristã, que definiu que a palavra divina está contida em 66 textos sobre os quais afirma conhecer as verdades de cada um.

Desde que se firmou como corpo burocrático a igreja necessitou, para a sua existência e credibilidade, amalgamar-se com a Palavra divina, e trazendo para si o domínio das verdades imutáveis, característica da Palavra. O deus não erra e nem muda de opinião, logo, o mesmo vale para a igreja. Mas isto na prática não funciona porque é impossível para pessoas temporalmente localizadas a convivência com verdades atemporais quando estas deixaram ter um mínimo de sentido ou, de proporcionar um mínimo de sentido às suas vidas. Aos poucos a temporalidade se sobrepõe e começam brotar antinomias entre a norma eclesial e a realidade concreta. Sempre que tal acontece a igreja reage de acordo com a realidade histórica na qual está inserida e a condição de plausibilidade que possui diante tal realidade. E reagindo, altera também as suas verdades “incontestáveis”.

Apenas um comparativo histórico linear de verdades: na igreja primitiva a crença no retorno imediato de Jesus; no pós Constantino a religião de Estado e a burocracia complexa; no medievo as cruzadas e a inquisição; o período moderno a caça as bruxas e a Contra Reforma; no século XIX o Ultramontanismo e as resoluções tridentinas; hodiernamente o Vaticano II, a guinada conservadora e o novo aggiornamento proposto por papa Francisco. Quantas verdades diferentes só nestes casos notórios! Quantas crenças e dogmas existiram e foram descartados mediante ação e reação!

Isso significa que, ao contrário do que dá a entender, a condição da existência da igreja católica não provém do seu discurso dogmático, mas sim sua capacidade camaleônica de adaptar-se segundo a “estrutura de plausibilidade” que possui em cada momento de “crise de sentido” da verdade divina.

Para cada crise se faz necessária uma nova exegese da Palavra em seus pontos nevrálgicos. Assim, a longa duração da igreja católica pode ser atribuída, em grande parte, a sua capacidade de negociar suas próprias verdades. Como, ademais, qualquer empresa terrena que reavalia e modifica seus produtos, quando estes não correspondem mais aos objetivos empresariais.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Dia do trabalhador

por Valdete Daufemback

Depois que comecei a trabalhar sob a proteção das normas da Consolidação das Leis do Trabalho (Registro em Carteira), este foi o 1º de Maio, o Dia do Trabalhador, que passei sem visualizar qualquer perspectiva às gerações vindouras e sem motivação para homenagens pelas conquistas da ampliação de direitos obtidos nas últimas décadas após a promulgação da Carta Magna de 1988, a Constituição cidadã, a qual abriu possibilidades de sonhar com um país mais justo com a aplicação de políticas públicas. Muito pelo contrário, o dia foi de recolhimento e reflexão na tentativa de entender como em tão pouco tempo chegamos a este retrocesso com a rápida retirada de direitos que levaram décadas (praticamente um século) para serem constituídos.

Éric Hobsbawm, no final do século XX, sinalizou que a política neoliberal teria facilidade em triunfar porque toda uma geração que emergiu a partir da política de Estado de Bem Estar Social estaria muito ocupada em consumir, enquanto os governos tratariam de eleger reformas ao gosto dos capitalistas. As condições econômicas da classe média projetaram para o individualismo deixando para trás toda uma história de lutas por direitos que se construiu na coletividade.

A geração que nasceu com os direitos reservados, talvez leve mais tempo para entender o significado das reformas trabalhistas e previdenciárias que, alguns menos avisados, ou mal intencionados, as denominam de atualização dos direitos. A sua retirada, para quem está iniciando no mundo do trabalho, parece não trazer consequências danosas porque a visão sobre a aposentadoria se encontra tão distante, que para o espírito jovem, esta não é a preocupação do momento. Por isso, torna-se compreensível que alguns jovens acreditam na reversão desse quadro com a eleição de um novo presidente da República.

Os direitos trabalhistas urbanos foram conquistados aos poucos, desde o início do século XX, por meio de muita luta. E com a promulgação da CF/88, os direitos trabalhistas e previdenciários se estenderam para novas categorias, assim como novos direitos foram constituídos a partir de políticas públicas, como o SUS. Até esse período, os trabalhadores rurais, entende-se famílias rurais, não tinham o direito à aposentadoria, em especial, as mulheres, pois estavam excluídas do sistema previdenciário. Importante mencionar que o direito à aposentadoria por idade e os programas de governo, como o Pronaf, deram um alento à agricultura familiar porque conseguiram estimular os jovens a permanecerem no campo e, assim, manter a reprodução social da cultura agrária.

Mas estes direitos conquistados ao longo de um século de lutas, se depender dos governantes, dos legisladores e do judiciário, estão ameaçados para satisfazer a ganância dos capitalistas que, provavelmente, financiarão as próximas campanhas eleitorais. Trata-se de uma manobra para concentrar ainda mais o capital enquanto acelera o processo de desumanização do trabalhador, agora submetido por completo às vontades do empregador.

Resta aos trabalhadores a resistência. Todos nós perdemos com este poder conservador que golpeou a democracia. É melhor acordar para esta realidade. A barbárie foi legitimada judicialmente e está em qualquer lugar pronta para agir. Mas assim mesmo, diante das evidências de um tempo sombrio, há quem diga que o problema é o Lula.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

1º de Maio: dia de luta ou de lazer?

Por Domingos Miranda

Os últimos cem anos foram marcados por símbolos que ficaram entranhados em nossa memória. E um dos mais fortes é o 1º de Maio, mostrado em todo o mundo como a data que simboliza a luta contra a opressão no local de trabalho. A data surgiu em função do 1º de maio de 1886, quando 200 mil trabalhadores entraram em greve em Chicago, nos EUA, reivindicando a redução da jornada de trabalho para oito horas diárias. Houve forte repressão nos dias seguintes com vários mortos e feridos. Pouco tempo depois oito líderes grevistas foram presos e quatro executados na forca. Em 1891, o governador de Ohio suspendeu o processo contra os oito de Chicago, que foram considerados inocentes. A partir daquele ano a Internacional Socialista, em Bruxelas, escolheu o 1º de Maio como o dia da luta por melhores condições de trabalho.



Nossa classe dirigente é inteligente e quando não consegue suprimir alguma coisa que a desagrade tenta passar um verniz e mudar o seu significado. Assim, a partir da década de 30 o Estado vem tentando transformar o significado desta data. Para o governo, o 1º de Maio deixou de ser o Dia do Trabalhador para se transformar no Dia do Trabalho. Existe uma enorme diferença de conteúdo entre trabalhador e trabalho. O objetivo disto, em primeiro lugar, era promover o congraçamento de classes, o que é uma falácia, pois os interesses de patrões e empregados são opostos. O lado mais forte tenta aumentar o lucro enquanto os trabalhadores exigem melhores salários e condições de trabalho dignas.

Um outro objetivo por trás destas mudanças era enfraquecer os sindicatos mais combativos e dar força ao sindicalismo pelego, aquele que defendia o interesse do patrão . Era a velha tática usada pelo império romano para derrotar os inimigos: dividir o lado adversário. Passaram-se os anos, passaram-se as ditaduras e a luta continua mais árdua do que antes, com os mesmos artifícios para apagar o ímpeto de revolta das classes laboriosas.

Hoje, na maioria das cidades brasileiras, o 1º de Maio se transformou em um convescote, com shows de música sertaneja, apresentação de artistas famosos e sorteio de carros. Algumas destas festas são promovidas pelos patrões, o que, por si só, é uma contradição. E isto ocorre no momento em que a luta de classes se acirra, onde os direitos trabalhistas são vilipendiados e os trabalhadores realizam a maior greve geral da nossa história contra estes abusos.

O 1º de Maio deve ser um momento de luta e de conscientização. Não adianta querer esconder a realidade dos trabalhadores. São momentos difíceis para quem depende do trabalho, mas é na escuridão que a luz faz a diferença. Se unirmos forças em prol de um Brasil mais justo teremos condições de tirar o país deste atoleiro, com 14 milhões de desempregados. Nesta data vamos refletir qual o melhor caminho a seguir. Basta verificar que nenhum dos atuais benefícios, como oito horas de jornada de trabalho, férias, salário desemprego e 13º salário, foram alcançados sem muita luta. Outras conquistas virão. Nada de desânimo, pois o futuro pertence aos trabalhadores, responsáveis por toda a riqueza produzida no planeta.