Por Domingos Miranda
“Pecar pelo silêncio, quando se deveria protestar, transforma homens em covardes”. Esta frase do presidente americano Abraham Lincoln serve para os tempos atuais no Brasil. Entre tantas atitudes que nos envergonham, praticadas pelo governo e entidades empresariais, está a que levou a União Europeia a suspender a exportação de carne de frango de 20 frigoríficos da BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão. A atitude atabalhoada do governo federal, a começar pelas operações espetaculosas da Polícia Federal, que visa mais aos holofotes, e a suspensão da exportação de frango por 30 dias, antes da decisão da UE, colaboraram para a tragédia anunciada. Mas uma vez, quem paga o pato (ou o frango) são os produtores. As entidades representativas do setor de carnes ficaram num silêncio constrangedor.
A BRF, principal envolvida na segunda fase da Operação Carne Fraca, acusada de fraudes em resultados de exames, tem um peso enorme na economia catarinense. No ano passado Santa Catarina exportou mais de 1,34 milhão de toneladas de carnes (principalmente de frango), obtendo uma receita de 2,6 bilhões de dólares. Três de seus frigoríficos no Estado estão proibidos de exportar carne de frango para os 27 países da União Europeia. O efeito já começou. Foram dadas férias coletivas aos operários e os produtores rurais estão prevendo queda no preço da carne diante do excesso de produção.
Esta medida também atinge outros Estados, mas para Santa Catarina, que tem o melhor trabalho de vigilância sanitária no setor de carnes, é uma penalidade desproporcional. Isso acontece porque operações da Polícia Federal fazem um alarde desproporcional aos seus feitos. Em abril de 2017, na primeira fase da Operação Carne Fraca, foram usados 1.100 agentes em 30 frigoríficos do país. Numa comunicação desastrada, a PF chegou a afirmar que havia papelão na carne quando na realidade o papelão era da embalagem. Resultado: vários países suspenderam temporariamente as importações de carne do Brasil até que a verdade fosse restabelecida.
No início deste ano mais uma barbeiragem dos agentes federais. Impediram, durante sete dias, a saída de 25 mil bovinos vivos que estavam em um navio pronto para partir para a Turquia sob a acusação de maus tratos nos animais. Depois de esclarecido mais este equívoco, foi liberada a carga viva do navio. Agora, no final de março, a operação espalhafato volta a acontecer, com mais prejuízos aos produtores, sem que haja evidência clara do perigo à saúde pública.
O governo federal, mais preocupado em escapar das denúncias de corrupção, não dá o devido acompanhamento a seus órgãos subordinados. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) não verifica com o devido rigor o trabalho de seus fiscais. A PF, por sua vez, por falta de visão estratégica, realiza com grande oba-oba as suas operações, colocando em risco um dos pilares das exportações brasileiras, o de carnes, que atinge 130 países. Os agentes federais devem fazer o seu trabalho com cautela e sem alarde, para não despertar a atenção no exterior.
E, por fim, mas não menos importante, as entidades representativas do setor produtivo deveriam cobrar com mais rigor do governo federal ações efetivas para evitar que o vagão saia dos trilhos na área de fiscalização. Nestes dias a FAESC (Federação da Agricultura) e a FIESC (Federação da Indústria) pecaram por não tomarem uma posição mais dura nesta questão. A BRF, que nasceu no Estado, corre um sério risco, pois no ano passado teve um prejuízo de R$ 1,1 bilhão, a cotação de suas ações caíram de R$ 70 para R$ 25 e há uma divergência entre seus controladores. Santa Catarina fez o dever de casa e se transformou no único Estado livre da febre aftosa sem vacinação e também está livre da peste suína clássica. Não é justo que, por causa da incompetência de fora, sejamos sacrificados.
“Pecar pelo silêncio, quando se deveria protestar, transforma homens em covardes”. Esta frase do presidente americano Abraham Lincoln serve para os tempos atuais no Brasil. Entre tantas atitudes que nos envergonham, praticadas pelo governo e entidades empresariais, está a que levou a União Europeia a suspender a exportação de carne de frango de 20 frigoríficos da BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão. A atitude atabalhoada do governo federal, a começar pelas operações espetaculosas da Polícia Federal, que visa mais aos holofotes, e a suspensão da exportação de frango por 30 dias, antes da decisão da UE, colaboraram para a tragédia anunciada. Mas uma vez, quem paga o pato (ou o frango) são os produtores. As entidades representativas do setor de carnes ficaram num silêncio constrangedor.
A BRF, principal envolvida na segunda fase da Operação Carne Fraca, acusada de fraudes em resultados de exames, tem um peso enorme na economia catarinense. No ano passado Santa Catarina exportou mais de 1,34 milhão de toneladas de carnes (principalmente de frango), obtendo uma receita de 2,6 bilhões de dólares. Três de seus frigoríficos no Estado estão proibidos de exportar carne de frango para os 27 países da União Europeia. O efeito já começou. Foram dadas férias coletivas aos operários e os produtores rurais estão prevendo queda no preço da carne diante do excesso de produção.
Esta medida também atinge outros Estados, mas para Santa Catarina, que tem o melhor trabalho de vigilância sanitária no setor de carnes, é uma penalidade desproporcional. Isso acontece porque operações da Polícia Federal fazem um alarde desproporcional aos seus feitos. Em abril de 2017, na primeira fase da Operação Carne Fraca, foram usados 1.100 agentes em 30 frigoríficos do país. Numa comunicação desastrada, a PF chegou a afirmar que havia papelão na carne quando na realidade o papelão era da embalagem. Resultado: vários países suspenderam temporariamente as importações de carne do Brasil até que a verdade fosse restabelecida.
No início deste ano mais uma barbeiragem dos agentes federais. Impediram, durante sete dias, a saída de 25 mil bovinos vivos que estavam em um navio pronto para partir para a Turquia sob a acusação de maus tratos nos animais. Depois de esclarecido mais este equívoco, foi liberada a carga viva do navio. Agora, no final de março, a operação espalhafato volta a acontecer, com mais prejuízos aos produtores, sem que haja evidência clara do perigo à saúde pública.
O governo federal, mais preocupado em escapar das denúncias de corrupção, não dá o devido acompanhamento a seus órgãos subordinados. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) não verifica com o devido rigor o trabalho de seus fiscais. A PF, por sua vez, por falta de visão estratégica, realiza com grande oba-oba as suas operações, colocando em risco um dos pilares das exportações brasileiras, o de carnes, que atinge 130 países. Os agentes federais devem fazer o seu trabalho com cautela e sem alarde, para não despertar a atenção no exterior.
E, por fim, mas não menos importante, as entidades representativas do setor produtivo deveriam cobrar com mais rigor do governo federal ações efetivas para evitar que o vagão saia dos trilhos na área de fiscalização. Nestes dias a FAESC (Federação da Agricultura) e a FIESC (Federação da Indústria) pecaram por não tomarem uma posição mais dura nesta questão. A BRF, que nasceu no Estado, corre um sério risco, pois no ano passado teve um prejuízo de R$ 1,1 bilhão, a cotação de suas ações caíram de R$ 70 para R$ 25 e há uma divergência entre seus controladores. Santa Catarina fez o dever de casa e se transformou no único Estado livre da febre aftosa sem vacinação e também está livre da peste suína clássica. Não é justo que, por causa da incompetência de fora, sejamos sacrificados.

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