Por Domingos Miranda
O escritor moçambicano Mia Couto escreveu em seu romance Terra Sonâmbula: “Nenhum rio separa, antes costura os destinos dos viventes”. Esta frase encaixa bem neste 22 de março, Dia Mundial da Água. O Brasil é a terra dos rios. Apesar da grande contribuição que estes mananciais deram ao longo da história para o encontro das civilizações e o transporte de mercadorias, hoje eles estão sendo envenenados e mutilados. A cada ano centenas de nascentes que vão dar maior vazão aos rios desaparecem por conta dos desmatamentos e exploração desenfreada do solo por culturas de exportação.
Não bastasse isso, há o problema da contaminação das águas. O Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos e boa parte destes pesticidas vai parar nas reservas hídricas, seja nos mananciais da superfície ou nos lençóis subterrâneos. Por outro lado, os constantes desastres ecológicos envolvendo rios colocam a saúde das populações ribeirinhas em sério risco. Exemplos mais recentes foram o vazamento dos resíduos de minério de ferro da Companhia Vale, em Mariana, e de alumina da companhia Hydro Alunorte, da empresa norueguesa Norsk Hydro, em Barcarena, no Pará. A primeira afetou quase toda a extensão do rio Doce, em Minas e Espírito Santo, e a segunda o rio Pará, no Estado do mesmo nome.
Como nosso país virou a casa da mãe Joana, onde vale tudo e predomina a balbúrdia, os órgãos ambientais lavram multas altíssimas, mas as empresas transgressoras do meio ambiente acabam não pagando nada porque seus advogados recorrem e a justiça é condescendente com elas. A conta sempre recai nas costas dos moradores, que é o lado mais fraco deste mundo insensato.
Mas nem tudo é desgraça. Há medidas positivas que estão sendo colocadas em prática para salvar as nascentes de água. Um dos casos mais emblemáticos é o que está acontecendo no município mineiro de Extrema, na divisa com São Paulo. O programa “Conservador das Águas” é pioneiro na aplicação do chamado Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), que consiste na remuneração do proprietário das terras onde se localizam os mananciais. O trabalho está sendo desenvolvido pelos técnicos da prefeitura em parceria com a Ong The Nature Conservancy (TNC) e O Instituto Estadual de Florestas. O programa foi instituído em 2007 e nestes dez anos já foram plantadas quase 2 milhões de árvores e restauradas 250 nascentes. As 170 propriedades beneficiadas ficam na bacia hidrográfica do rio Jaguari, que alimenta o Sistema Cantareira, em São Paulo.
O Instituto Terra criou o movimento “Todos pelo rio Doce” com o objetivo de mobilizar 20 mil voluntários para formar uma força-tarefa de proteção a centenas de nascentes da bacia do rio Doce. São formados técnicos que percorrem as propriedades rurais orientando os moradores na preservação dos olhos d’água e no plantio de mudas de árvores nativas.
Em Joinville também foi iniciada em 1997 o “Programa SOS Nascentes”, que visa recompor a vegetação ciliar, produção de mudas nativas e saneamento rural. Deu bons frutos, mas depois entrou em hibernação. O engenheiro agrônomo Onévio Zabot afirma que é necessário reimplementá-lo “em toda a sua amplitude, aplicando os recursos disponíveis na região, incluindo serviços ambientais. Ou seja: remunerar os agricultores que ajudam a proteger as nascentes”.
Portanto, há bons projetos em andamento, mas é preciso estender esta ação preservacionista para todos os municípios. É bom lembrar que apenas 0,008% do total da água de nosso planeta é potável (própria para o consumo). E boa parte dela já está contaminada. Isto é preocupante porque em um futuro não muito distante poderá faltar água para consumo em várias regiões do planeta. Então é hora de incentivarmos os produtores deste líquido tão valioso. E isto é fácil, basta preservar as nascentes. Então, mãos à obra.
O escritor moçambicano Mia Couto escreveu em seu romance Terra Sonâmbula: “Nenhum rio separa, antes costura os destinos dos viventes”. Esta frase encaixa bem neste 22 de março, Dia Mundial da Água. O Brasil é a terra dos rios. Apesar da grande contribuição que estes mananciais deram ao longo da história para o encontro das civilizações e o transporte de mercadorias, hoje eles estão sendo envenenados e mutilados. A cada ano centenas de nascentes que vão dar maior vazão aos rios desaparecem por conta dos desmatamentos e exploração desenfreada do solo por culturas de exportação.
Paisagem estrada bonita - Joinville - Fotografia: Nilson Bastian
Não bastasse isso, há o problema da contaminação das águas. O Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos e boa parte destes pesticidas vai parar nas reservas hídricas, seja nos mananciais da superfície ou nos lençóis subterrâneos. Por outro lado, os constantes desastres ecológicos envolvendo rios colocam a saúde das populações ribeirinhas em sério risco. Exemplos mais recentes foram o vazamento dos resíduos de minério de ferro da Companhia Vale, em Mariana, e de alumina da companhia Hydro Alunorte, da empresa norueguesa Norsk Hydro, em Barcarena, no Pará. A primeira afetou quase toda a extensão do rio Doce, em Minas e Espírito Santo, e a segunda o rio Pará, no Estado do mesmo nome.
Como nosso país virou a casa da mãe Joana, onde vale tudo e predomina a balbúrdia, os órgãos ambientais lavram multas altíssimas, mas as empresas transgressoras do meio ambiente acabam não pagando nada porque seus advogados recorrem e a justiça é condescendente com elas. A conta sempre recai nas costas dos moradores, que é o lado mais fraco deste mundo insensato.
Mas nem tudo é desgraça. Há medidas positivas que estão sendo colocadas em prática para salvar as nascentes de água. Um dos casos mais emblemáticos é o que está acontecendo no município mineiro de Extrema, na divisa com São Paulo. O programa “Conservador das Águas” é pioneiro na aplicação do chamado Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), que consiste na remuneração do proprietário das terras onde se localizam os mananciais. O trabalho está sendo desenvolvido pelos técnicos da prefeitura em parceria com a Ong The Nature Conservancy (TNC) e O Instituto Estadual de Florestas. O programa foi instituído em 2007 e nestes dez anos já foram plantadas quase 2 milhões de árvores e restauradas 250 nascentes. As 170 propriedades beneficiadas ficam na bacia hidrográfica do rio Jaguari, que alimenta o Sistema Cantareira, em São Paulo.
O Instituto Terra criou o movimento “Todos pelo rio Doce” com o objetivo de mobilizar 20 mil voluntários para formar uma força-tarefa de proteção a centenas de nascentes da bacia do rio Doce. São formados técnicos que percorrem as propriedades rurais orientando os moradores na preservação dos olhos d’água e no plantio de mudas de árvores nativas.
Em Joinville também foi iniciada em 1997 o “Programa SOS Nascentes”, que visa recompor a vegetação ciliar, produção de mudas nativas e saneamento rural. Deu bons frutos, mas depois entrou em hibernação. O engenheiro agrônomo Onévio Zabot afirma que é necessário reimplementá-lo “em toda a sua amplitude, aplicando os recursos disponíveis na região, incluindo serviços ambientais. Ou seja: remunerar os agricultores que ajudam a proteger as nascentes”.
Portanto, há bons projetos em andamento, mas é preciso estender esta ação preservacionista para todos os municípios. É bom lembrar que apenas 0,008% do total da água de nosso planeta é potável (própria para o consumo). E boa parte dela já está contaminada. Isto é preocupante porque em um futuro não muito distante poderá faltar água para consumo em várias regiões do planeta. Então é hora de incentivarmos os produtores deste líquido tão valioso. E isto é fácil, basta preservar as nascentes. Então, mãos à obra.
Viajando pelo nosso País,dificilmente encontramos nas margens dos rios e cursos dáguas,a tão e fundamental "Matas Ciliares".Existe a lei,que é obrigatório a preservação destes "corredores ecológicos",nas margens dos rios e demais cursos,mas na prática,quando muito encontramos são alguns pequenos trechos com matas ciliares e a maioria do restante não encontramos as árvores.Quando muito,algumas vegetações esparsas.Precisamos cuidar mais de nossas Águas....
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