A principal lição que os oprimidos aprenderam ao longo da história foi a de que nada se consegue sem luta. No caso das mulheres isto está muito evidente. Há cerca de um século o sexo feminino realizava trabalhos estafantes, recebiam salários aviltantes, não tinha férias e nem folga após o parto. A situação para elas melhorou, mas ainda há muito o que avançar. Por isso, o 8 de Março deve ser uma data de luta e não apenas um feriado para se descansar ou assistir algum show. A consciência de que a exploração está presente e precisa ser extirpada é a principal arma que elas têm.
A nossa classe dominante é esperta e usa todas as ferramentas para impedir que a mulher trabalhadora tome consciência de seu poder. Na maioria das vezes, as comemorações referentes ao Dia Internacional da Mulher perdem o seu real significado, ficando restritas a shows, sorteios e discursos melosos, geralmente com apoio patronal. É preciso resgatar o espírito guerreiro de nossas mulheres. Com estes exemplos de luta se verá que o sexo feminino não é frágil, mas forte e libertário.
Santa Catarina é a terra natal de uma das mulheres mais combativas de nossa história: Anita Garibaldi. Além de ser uma guerreira corajosa, ela quebrou vários tabus de nossa sociedade, o principal deles era que a mulher não podia ser dona de seu destino. A jovem dona de casa de Laguna não aceitou ficar amarrada por laços matrimoniais a uma pessoa que não tinha afinidades, destino reservado às moças daquela época. Quando o marido foi para a guerra e não deu mais notícias, Anita acompanhou o guerrilheiro Giuseppe Garibaldi quando este passou por sua cidade natal. A partir daí enfrentou várias batalhas ao lado do marido no Brasil, Uruguai e Itália. Por isso foi chamada de heroína de dois mundos.
Outras heroínas surgiram, não só nos campos de batalha mas também nos locais de trabalho. A própria data comemorativa de 8 de março foi uma homenagemàs 130 mulheres que lutavam pela redução da carga horária de trabalho (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário) e que foram queimadas dentro da fábrica têxtil, em 1857. No Brasil, muitas mulheres encabeçaram greves, permitindo alcançar benefícios específicos para elas, tais como a licença-maternidade.
Em 1983, como jornalista da Tribuna Operária,acompanhei as lutas pela moradia em São Paulo. Tive oportunidade de ver a garra das mulheres naqueles conflitos com a polícia e com os vigilantes. No livro que escrevi em parceria com Olívia Rangel, “Eu não tenho onde morar”, anotei: “Às mulheres coube um papel destacado na luta pela moradia em Centreville. Enquanto a maioria dos homens estava trabalhando fora, as mulheres se mobilizavam para defender suas casas. Maria da Silva, presidente da Sociedade Amigos da Vila Guaraciaba, dá sua opinião: ‘Na luta do dia-a-dia as mulheres vão descobrindo uma nova vida, mesmo sabendo que correm um certo risco’. (...) Terezinha Bueno Baltazar, mãe de oito filhos, sentada junto com sua filhinha Renata, na cozinha de sua nova casa em Centreville, afirma: ‘É a primeira vez que participo e adorei’. Terezinha diz entusiasmada que quando os guardas atiraram nós fomos atrás deles com pedra em cima. Ela conclui: ‘Se a gente não lutar por aquilo que é da gente, quem vai lutar?’”.
Assim são as mulheres. Na aparência podem demonstrar uma certa fragilidade, mas quando tomam consciência dos seus direitos, são as melhores guerreiras. Como foi Anita Garibaldi. Hoje, os governantes golpistas estão usurpando os direitos das mulheres e de todo o povo mas um novo dia está chegando e elas irão ocupar um lugar de destaque nesta luta. Portanto, neste 8 de março devemos mostrar a força das mulheres ao longo da história. Só falta uma maior conscientização para que a fogueira seja acesa em busca de seus direitos. A libertação das mulheres será feita por elas mesmas. Elas já mostraram que são capazes.

Nenhum comentário:
Postar um comentário