Domingos Miranda
A mentira é o produto mais disseminado em nossa sociedade. Ela está presente entre os governantes, na imprensa, no judiciário e até mesmo nos meios religiosos. O povo, aturdido diante de tanta desinformação, muitas vezes acaba tomando caminhos prejudiciais a si mesmo. Um exemplo marcante desta tática dos poderosos foi a intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro. Diante da total desmoralização do governo federal, o que ficou patente nos desfiles das escolas de samba, o presidente Temer optou por uma ação de marketing para procurar reverter o quadro. Num primeiro momento a população apoia esta manobra, achando que poderá conter a violência. Mas nada de novo sairá desta cartola, senão o velho refrão de criminalizar os pobres.
A atitude de Temer e seu entorno foi tão atabalhoada que nem o interventor, general Braga Neto, na coletiva à imprensa não sabia o que dizer. Num gesto sincero numa hora destas, afirmou que a operação acontecia por causa da mídia. Realmente, a Globo colocou na telinha, diariamente, cenas que pareciam uma guerra urbana. Na verdade, outros nove Estados estão com nível de violência bem superior ao do Rio de Janeiro e não se falou em intervenção neles.
Em um primeiro momento poderá haver certo apoio à decisão de Temer. No entanto, à medida que a população for vendo que o espetáculo é o mesmo das outras 21 intervenções militares no Rio e que só em uma delas conseguiu reduzir a violência, então sentirá que foi ludibriada. O combate ao tráfico de drogas se dá basicamente nas favelas, com invasões de residências e atropelos nas ruas, não respeitando nem mesmo as crianças que têm suas mochilas revistadas. Os barões da cocaína estão instalados nas mansões da Zona Sul carioca, mas nunca são incomodados. O filme Tropa de Elite 2 deixou isto bem evidente.
A verdade é que o tráfico movimenta muito dinheiro e aí há um jogo de sutilezas para enganar o público. O serviço de inteligência sabe muito bem quem coordena esta rede de propinas, mas não tem forças ou interesse em fazer supurar este tumor. O ministro da Justiça disse, no final do ano passado, que todos os comandantes de batalhões da PM do Rio estavam envolvidos com o tráfico. Nenhuma medida foi tomada pra reverter este quadro. Será que uma quadrilha vai querer desmontar a outra quadrilha? Ou vão se chegar a um acordo para continuar obtendo as benesses do crime sem prejudicar um ao outro? Enquanto isso o povo paga o pato.
Mais cedo ou mais tarde a verdade virá à tona. Até lá a maioria acreditará que este espetáculo militar irá resolver o inferno criado por governantes corruptos. Quando o governo desmoralizado não tem nada de bom para oferecer à sociedade, apela para a fantasia. Mas um dia a casa cai e não sairá mais coelho da cartola. Aí o mágico será expulso do palco.
A mentira é o produto mais disseminado em nossa sociedade. Ela está presente entre os governantes, na imprensa, no judiciário e até mesmo nos meios religiosos. O povo, aturdido diante de tanta desinformação, muitas vezes acaba tomando caminhos prejudiciais a si mesmo. Um exemplo marcante desta tática dos poderosos foi a intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro. Diante da total desmoralização do governo federal, o que ficou patente nos desfiles das escolas de samba, o presidente Temer optou por uma ação de marketing para procurar reverter o quadro. Num primeiro momento a população apoia esta manobra, achando que poderá conter a violência. Mas nada de novo sairá desta cartola, senão o velho refrão de criminalizar os pobres.
A atitude de Temer e seu entorno foi tão atabalhoada que nem o interventor, general Braga Neto, na coletiva à imprensa não sabia o que dizer. Num gesto sincero numa hora destas, afirmou que a operação acontecia por causa da mídia. Realmente, a Globo colocou na telinha, diariamente, cenas que pareciam uma guerra urbana. Na verdade, outros nove Estados estão com nível de violência bem superior ao do Rio de Janeiro e não se falou em intervenção neles.
Em um primeiro momento poderá haver certo apoio à decisão de Temer. No entanto, à medida que a população for vendo que o espetáculo é o mesmo das outras 21 intervenções militares no Rio e que só em uma delas conseguiu reduzir a violência, então sentirá que foi ludibriada. O combate ao tráfico de drogas se dá basicamente nas favelas, com invasões de residências e atropelos nas ruas, não respeitando nem mesmo as crianças que têm suas mochilas revistadas. Os barões da cocaína estão instalados nas mansões da Zona Sul carioca, mas nunca são incomodados. O filme Tropa de Elite 2 deixou isto bem evidente.
A verdade é que o tráfico movimenta muito dinheiro e aí há um jogo de sutilezas para enganar o público. O serviço de inteligência sabe muito bem quem coordena esta rede de propinas, mas não tem forças ou interesse em fazer supurar este tumor. O ministro da Justiça disse, no final do ano passado, que todos os comandantes de batalhões da PM do Rio estavam envolvidos com o tráfico. Nenhuma medida foi tomada pra reverter este quadro. Será que uma quadrilha vai querer desmontar a outra quadrilha? Ou vão se chegar a um acordo para continuar obtendo as benesses do crime sem prejudicar um ao outro? Enquanto isso o povo paga o pato.
Mais cedo ou mais tarde a verdade virá à tona. Até lá a maioria acreditará que este espetáculo militar irá resolver o inferno criado por governantes corruptos. Quando o governo desmoralizado não tem nada de bom para oferecer à sociedade, apela para a fantasia. Mas um dia a casa cai e não sairá mais coelho da cartola. Aí o mágico será expulso do palco.

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