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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Debate sobre greve geral de 1917, revolução russa e reforma das leis trabalhistas agrada estudantes

Por Domingos Miranda



Durante três horas, na noite de terça-feira (17), cerca de cem pessoas, entre estudantes do curso de jornalismo do Ielusc e outros convidados, participaram do debate para comemorar o centenário da greve geral em Joinville e da revolução russa e ouvir comentários sobre a reforma das leis trabalhistas . A abertura foi feita pela professora Valdete Daufembach e pelo coordenador do curso de Jornalismo, Sílvio Melatti. Os palestrantes foram a professora Iara Andrade Costa, o jornalista Bernardo Joffily e o advogado Luiz Gustavo Assad Rupp.





Iara Costa, professora aposentada de história da Univille, comentou que a greve geral de 1917 em Joinville foi um assunto banido da imprensa e que muitos documentos existentes nos sindicatos foram destruídos. “Historiadores que abordaram o tema foram expurgados da cidade”, revelou. Em sua tese “A cidade da ordem: tensões sociais e controle” ela abordou o mundo dos operários na cidade entre 1917 e 1943. Os baixos salários e a carestia eram as principais queixas dos trabalhadores. Por isso, quando a greve estourou, em 23 de julho de 1917, várias categorias aderiram, o que pegou os patrões de surpresa. Estes diziam que “os grevistas estavam infiltrados por anarquistas que vieram de Curitiba”. A paralisação terminou no dia 1º de agosto quando foi concedido 20% de aumento nos salários.

Bernardo Joffily, autor do livro “Pequena história de um século da Grande Revolução de Outubro”, iniciou sua palestra dizendo: “Sou um entusiasta da revolução russa, não acrítico. Dentro de alguns dias vamos comemorar o centenário da revolução e também os 26 anos do desaparecimento da União Soviética”. Ele comentou que a Revolução de Outubro “foi um destes momentos magníficos que nós da espécie humana somos capazes de empreender e que dá um salto civilizacional”. Acrescentou que as conquistas da União Soviética influíram em todo o planeta. Lembrou também que “sob pressão do fantasma do mundo do socialismo, o capitalismo cedeu alguns direitos para tentar evitar o avanço da revolução”. Bernardo frisou ao final: “Nós devemos aprender com a revolução soviética, com seus acertos e defeitos”.

Luiz Gustavo Rupp, assessor jurídico do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Joinville e professor da Univille, começou sua fala dizendo que a reforma trabalhista está ligada com a crise que estamos passando: “O capitalismo precisa de crise, é um sistema injusto na sua essência. Evidentemente que o capitalismo precisa ser superado”. Acrescentou que nenhum direito foi dado por causa da bondade de alguém, mas todos eles foram conquistados com muita luta. E lembrou que no início do século passado “os sindicatos com predominância dos anarquistas lutavam pelo poder, tinham uma atuação política. Getúlio Vargas, que mais tarde criou a CLT, tentou domesticar os sindicatos subordinando-os ao Ministério do Trabalho”. Informou que isto que o governo Temer está fazendo “não é reforma trabalhista, é uma contrarreforma. Este é um governo ilegítimo e as leis foram aprovadas por um Congresso Nacional que é um covil de ladrões. Foram alterados mais de 200 artigos da CLT. Nenhum emprego será gerado com esta reforma, pelo contrário, vai facilitar a demissão”. Acrescentou que nesta semana portaria do Ministério do Trabalho flexibilizou o conceito de trabalho escravo. “Nós estamos indo para a barbárie. E o capitalismo é isso.”

O debate no anfiteatro do Bom Jesus/Ielusc contou com o apoio do Blog Zarco Livre para a sua concretização. Foi o único evento na cidade de Joinville que falou sobre o centenário da greve geral de 1917.

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