Por Domingos Miranda
Há duas maneiras de uma potência ocupar um país. Uma é pela guerra e a outra é através da instalação de traidores no poder. Esta segunda opção é a mais econômica, pois se preserva a infraestrutura. Mas, para ser concretizada, é necessário contar com um grupo interno instalados em postos chaves, com seus representantes bem remunerados, para fazer o serviço sujo. No Brasil, isto começou a acontecer há mais de 20 anos, no governos de Fernando Henrique Cardoso, foi interrompido nos governos Lula e Dilma, e recomeçado, com força total, na administração de Michel Temer.
Logo após o golpe que destituiu a presidente Dilma Roussef, Temer, numa ação que lembra a dos bucaneiros (piratas a serviço de um rei) no século 17, numa velocidade espantosa, passou a privatizar nossas principais empresas. A jóia da coroa nesta corrida ao tesouro é a Petrobras, a maior empresa brasileira. Logo de início leiloaram alguns campos do pré-sal que foram arrematados por uma estatal norueguesa. A construção de plataformas marítimas parou e a indústria naval, que montava estes equipamentos, foi sucateada.
A imprensa noticiou, no final de agosto, a agonia da cidade de Rio Grande (RS), onde havia um grande polo da indústria naval com 30 mil operários. Hoje, restam só 10 mil e com perspectiva de fechamento dos estaleiros. E o mais grave. Equipamentos novos, que seriam utilizados em duas plataformas da Petrobras, estão sendo leiloados como sucatas.
A segunda etapa deste desmonte se dá com o anúncio da privatização da Eletrobrás. São 233 usinas de geração de energia, além de seis distribuidoras de energia e 61 mil quilômetros de linhas de transmissão. O arrematador poderá adquirir a maioria das ações da Eletrobrás por R$ 20 bilhões, sendo que a empresa vale mais de R$ 400 bilhões.. O mesmo que aconteceu na privatização da Eletropaulo, em 1998, vendida por R$ 2 bilhões, sendo que valia dez vezes mais.
Nós devemos ter como parâmetro dessa entrega do patrimônio nacional para empresários espertos a privatização da Light, Eletropaulo e CPFL, entre 1996 e 1998, no governo FHC. Todas elas foram vendidas por preços irrisórios, com financiamentos via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), uma empresa estatal. A empresa americana AES Corporation, uma das que arremataram a Light e a Elettropaulo, mais tarde tentou dar o calote no BNDES. No caso da dívida referente à compra da Eletropaulo, ela não pagou e o valor foi transformado em ações em poder do BNDES.
No mínimo, um governo sério, deveria tirar lições destas privatizações anteriores que não trouxeram nenhum benefício para os consumidores e nem para a União. Pelo contrário, os investimentos pós privatização foram reduzidos, levando às constantes interrupções de fornecimento de eletricidade.
Energia é uma questão estratégica para qualquer país. Tanto isto é verdade que nos EUA, pátria do neoliberalismo, a geração de energia elétrica está nas mãos de empresas estatais. O que o governo está fazendo no Brasil é um crime de lesa-pátria. No futuro, quando a democracia voltar a imperar nesta terra, é necessário que os responsáveis por estes abusos sejam levados ao banco dos réus.

Nenhum comentário:
Postar um comentário