Por Domingos Miranda
Em 18 de setembro de 1950 entrava no ar o primeiro canal de televisão do Brasil, a TV Tupi de São Paulo. Ela cresceu rapidamente e, depois de 67 anos, é a mais importante arma da direita, responsável pela informação da maioria do povo, que lê pouco e tem baixa escolaridade. O governo do PT não deu a devida atenção a este tema e a Globo continuou com o domínio quase total das transmissões de imagens à distância. É um caso que coloca em risco a segurança nacional.
Os Estados Unidos dão atenção especial na regulação da mídia televisionada, que está a cargo da Federal Communications Commision (FCC). O órgão é responsável por outorgar concessões e também se dedica a regular o mercado, principalmente evitando a propriedade cruzada de comunicação. Uma mesma empresa não pode ser proprietária de um jornal e de uma estação de TV ou de rádio. Também há regras que impõem limites sobre o número de TV e rádio que uma determinada empresa pode controlar. Isso visa impedir que uma mesma empresa tenha um controle absoluto na audiência.
Na Argentina o casal Kirchner travou uma dura batalha para acabar com o monopólio do grupo Clarin, uma espécie de Globo de lá. Após vários anos de disputa foi aprovada uma lei que obrigou a empresa a se desfazer de vários canais. Com o governo do presidente Macri o grupo Clarin está recuperando parte de seu antigo poder. Na Venezuela o presidente Hugo Chaves enfrentou a maior empresa de televisão daquele país, também com o nome Globo, e não renovou a sua concessão ao fim do contrato.
No Brasil, a criação de um marco regulatório da mídia foi bastante discutida durante os governos de Lula e Dilma Roussef, mas não avançou. Vários setores tem se manifestado sobre o assunto. O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que “a regulação da mídia é necessária à liberdade de expressão”. Ele lembrou que a concentração dos meios de comunicação em oligopólios traz riscos à circulação de ideias.
Tanto isto é verdade que os oligopólios da mídia fizeram um massacre em cima da presidente Dilma Roussef, fazendo com que a sua popularidade caísse no segundo mandato, abrindo caminho para o golpe praticado pelo Congresso em 2016. É urgente fazer uma grande mobilização para discutir a regulação da mídia no Brasil. Isto não é censura, como alegam os proprietários dos meios de comunicação, mas permitir que a população tenha acesso a uma informação mais segura. Hoje, quem faz a cabeça dos telespectadores é a Globo, em todos os sentidos, desde a opinião política até moda, passando por gostos musicais e escolha de horários de jogos, atendendo a sua grade de programação.
Para ser livre é necessário ser forte. E para se fortalecer o povo precisa ter acesso à informação confiável. O poder da verdade é o maior poder do universo, pois ele pode libertar. A verdade tem o poder de dar força e confiança aos que necessitam. Fim ao monopólio da Globo.

