Por Domingos Miranda
A justiça no Brasil virou piada. Os juízes e procuradores são símbolos dos “marajás” no funcionalismo público. Muitas de suas sentenças e ações causam espanto e uma ex-ministra da Justiça da Alemanha, Herta Däubler-Gmelin, disse que “aqui é outro mundo”. Durante visita ao nosso país acrescentou: “Então eu posso entender a certa descrença que há aqui no atual desempenho do Judiciário, de alguns juízes e juízas”. Quando o povo deixa de acreditar na justiça fica muito mais difícil fazer valer a lei.
Ao longo da história vemos que a justiça tem lado e já cometeu erros assombrosos. Uma das sentenças mais absurdas aconteceu há 90 anos, nos Estados Unidos, quando os imigrantes italianos Nicolas Sacco e Bartolomeu Vanzetti foram condenados à morte. Houve protestos dos operários e da sociedade em diversas cidades do mundo pedindo clemência. Mas a Suprema Corte e o presidente dos Estados Unidos se negaram a mudar a pena e, no dia 23 de agosto de 1927, os dois líderes operários foram executados na cadeira elétrica.
Nicolas Saco era filho de camponeses pobres e emigrou da Itália para os EUA em 1908. Chegou a passar fome e trabalhou em diversas fábricas. Logo se envolveu nas lutas por melhores condições e trabalho e passou a atuar no sindicalismo revolucionário e anarquista.
Bartolomeu Vanzetti teve envolvimento com ideias religiosas e humanistas na juventude. Quando chegou na América viu “todas as brutalidades da vida, todas as injustiças e as depravações em que se debate tragicamente a humanidade”. Nesta época se desligou de quaisquer instituições religiosas e passou a estudar teóricos como Bakunin, Marx, Kropotkin, Gorki, Tolstoi, entre outros. Lia estas obras durante a madrugada, após as longas jornadas de trabalho na fábrica. Tornou-se importante liderança do movimento operário e um convicto anarquista.
Na década de 20 o movimento operário crescia e a polícia realizava verdadeiras caçadas aos seus líderes. Somente no dia 2 de janeiro de 1920 foram realizadas batidas policiais em 33 cidades e expedidos 6 mil pedidos de prisão. Neste ambiente de repressão aconteceu um assalto a uma fábrica de calçados na cidade de South Braintree, no Estado de Massachussets, onde foram mortas duas pessoas. Vinte dias depois Sacco e Vanzetti foram presos nas proximidades de Boston. Inicialmente foram acusados de porte ilegal de armas – um costume comum para a maioria dos americanos – e depois acusados de dois assassinatos, ocorridos em abril do mesmo ano.
A imprensa conservadora logo encontrou nos dois operários o bode expiatório para aqueles conflitos sociais que ocorriam e tratava os líderes anarquistas como “bandidos italianos”. Em pouco tempo a classe média já tinha tomado um posicionamento contrário aos réus. Mais de 107 pessoas testemunharam que os acusados não estavam no local do crime. Nada disso adiantou. Mesmo sem provas, o juiz condenou os dois à pena de morte.
O jurista Edmund Morgan, da Universidade de Harvard, investigou o processo durante vários anos e, em 1948, chegou à conclusão que a justiça havia cometido um grande erro. Ele disse que Sacco e Vanzetti foram “vítimas de uma sociedade preconceituosa, chauvinista e perversa”. Em 1977, cinquenta anos depois da execução, o governador de Massachussets, Michael Dukakis, promulgou um documento absolvendo os dois condenados.
A justiça no Brasil virou piada. Os juízes e procuradores são símbolos dos “marajás” no funcionalismo público. Muitas de suas sentenças e ações causam espanto e uma ex-ministra da Justiça da Alemanha, Herta Däubler-Gmelin, disse que “aqui é outro mundo”. Durante visita ao nosso país acrescentou: “Então eu posso entender a certa descrença que há aqui no atual desempenho do Judiciário, de alguns juízes e juízas”. Quando o povo deixa de acreditar na justiça fica muito mais difícil fazer valer a lei.
Ao longo da história vemos que a justiça tem lado e já cometeu erros assombrosos. Uma das sentenças mais absurdas aconteceu há 90 anos, nos Estados Unidos, quando os imigrantes italianos Nicolas Sacco e Bartolomeu Vanzetti foram condenados à morte. Houve protestos dos operários e da sociedade em diversas cidades do mundo pedindo clemência. Mas a Suprema Corte e o presidente dos Estados Unidos se negaram a mudar a pena e, no dia 23 de agosto de 1927, os dois líderes operários foram executados na cadeira elétrica.
Jornal americano noticia a morte dos dois líderes operários.
Nicolas Saco era filho de camponeses pobres e emigrou da Itália para os EUA em 1908. Chegou a passar fome e trabalhou em diversas fábricas. Logo se envolveu nas lutas por melhores condições e trabalho e passou a atuar no sindicalismo revolucionário e anarquista.
Bartolomeu Vanzetti teve envolvimento com ideias religiosas e humanistas na juventude. Quando chegou na América viu “todas as brutalidades da vida, todas as injustiças e as depravações em que se debate tragicamente a humanidade”. Nesta época se desligou de quaisquer instituições religiosas e passou a estudar teóricos como Bakunin, Marx, Kropotkin, Gorki, Tolstoi, entre outros. Lia estas obras durante a madrugada, após as longas jornadas de trabalho na fábrica. Tornou-se importante liderança do movimento operário e um convicto anarquista.
Na década de 20 o movimento operário crescia e a polícia realizava verdadeiras caçadas aos seus líderes. Somente no dia 2 de janeiro de 1920 foram realizadas batidas policiais em 33 cidades e expedidos 6 mil pedidos de prisão. Neste ambiente de repressão aconteceu um assalto a uma fábrica de calçados na cidade de South Braintree, no Estado de Massachussets, onde foram mortas duas pessoas. Vinte dias depois Sacco e Vanzetti foram presos nas proximidades de Boston. Inicialmente foram acusados de porte ilegal de armas – um costume comum para a maioria dos americanos – e depois acusados de dois assassinatos, ocorridos em abril do mesmo ano.
A imprensa conservadora logo encontrou nos dois operários o bode expiatório para aqueles conflitos sociais que ocorriam e tratava os líderes anarquistas como “bandidos italianos”. Em pouco tempo a classe média já tinha tomado um posicionamento contrário aos réus. Mais de 107 pessoas testemunharam que os acusados não estavam no local do crime. Nada disso adiantou. Mesmo sem provas, o juiz condenou os dois à pena de morte.
O jurista Edmund Morgan, da Universidade de Harvard, investigou o processo durante vários anos e, em 1948, chegou à conclusão que a justiça havia cometido um grande erro. Ele disse que Sacco e Vanzetti foram “vítimas de uma sociedade preconceituosa, chauvinista e perversa”. Em 1977, cinquenta anos depois da execução, o governador de Massachussets, Michael Dukakis, promulgou um documento absolvendo os dois condenados.
A história de Sacco e Vanzetti virou filme e tema de música da cantora Joan Baez
Passaram-se os anos e o preconceito continua tendo um peso enorme na mente dos juízes, principalmente no Brasil. Condenar o réu sem provas – como aconteceu com Sacco e Vanzetti – é o maior absurdo dentro do judiciário e tal prática deve ser banida para sempre.


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