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segunda-feira, 9 de abril de 2018

Lula preso: a guerra não está perdida

Por Domingos Miranda

Com a prisão de Lula, em 7 de abril de 2018, encerra-se o primeiro ato da guerra híbrida que os Estados Unidos desencadearam para abocanhar o pré-sal. A esquerda mostrou falhas ao não avaliar corretamente o que havia por trás das Jornadas de Junho de 2013 e que desembocaram no impeachment da presidenta Dilma. O objetivo final de toda esta mobilização seria impedir o retorno de Lula ao Palácio do Planalto. A mudança de rumo dependerá da capacidade de mobilização dos democratas. Muita coisa pode acontecer nestes momentos de crise. A história já mostrou que fatos de menor proporção podem gerar grandes hecatombes. Há 400 anos começou, numa Europa dividida entre católicos e protestantes, a Guerra dos 30 anos. 

Foto: Povo tenta impedir Lula de se entregar à PF

Em vários países de maioria protestante o governo estava nas mãos dos católicos. Na Boêmia, onde hoje é a República Tcheca, era um destes casos. Descontentes com as atitudes do rei Fernando II, que havia decretado que o catolicismo seria a única religião de seu reino, em 23 de maio de 1618, uma multidão de protestantes invadiu o palácio real e jogou dois ministros e um conselheiro pelas janelas, conhecido como Defenestração de Praga. A vingança do monarca foi sangrenta e ali se desencadeou a revolução protestante. Outros países entraram na guerra que só terminou em 1648. Calcula-se que tenha morrido de um quarto a um terço da população dos países do centro da Europa, sendo o conflito mais mortífero até a segunda guerra mundial. 
Foto: Lula cercado pelo povo em frente ao Sindicato Metalurgicos

No Brasil, a sociedade nunca esteve tão dividida como agora. Ninguém pode imaginar o que vai acontecer daqui para a frente já que o principal líder popular está atrás das grades. A direita fascista deve ficar mais furiosa, como vem acontecendo nos últimos dias. Agressões a tiros e pedradas na Caravana do Lula no Sul. No Rio de Janeiro houve o assassinato da vereadora Marielle Franco e a execução de cinco adolescentes da União da Juventude Socialista (UJS) na cidade de Maricá. No Pará, a polícia e o judiciário armaram uma acusação fajuta para prender o padre Amaro da Silva, principal liderança dos posseiros do município de Anapu e substituto da freira Dorothy Stang, assassinada em 2005.

A Faesa (Federação da Agricultura e Pecuária do Pará), entidade dos latifundiários do Estado, lançou, no final de março, um documento com ataques sem precedentes à Igreja Católica no Brasil. A nota trata o padre Amaro como “subversivo que se traveste de religioso”, a CNBB é chamada de “Sindicato dos Bispos”, dominada por uma “ala esquerdista” que pretenderia “implantar no solo cristão deste país os espúrios credos marxistas”. Também foram alvos dos ataques o bispo emérito dom Erwin Kräutler, a Comissão Pastoral da Terra e o desembargador Gercino José da Silva Filho, ex-ouvidor agrário e ex-presidente da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo. O ódio destes ruralistas se deve ao fato de estar para ser desmantelado o esquema que permitiu aos latifundiários ocuparem terras públicas que deveriam ser destinadas ao manejo florestal por parte dos posseiros. Este falso domínio de terras públicas permitia aos fazendeiros realizarem empréstimos nos bancos.

Assim está acontecendo no país todo, em algumas regiões os conflitos são mais agudos e em outros o descontentamento ainda não aflorou totalmente. Nestas horas cabe às lideranças agirem de forma unitária. O primeiro passo é lutar para garantir a realização das eleições em outubro. Com Lula preso, o sentimento de injustiça contra ele ficou ainda mais evidente e a população sempre procura ficar ao lado do oprimido. Mesmo Lula não sendo candidato ele poderá indicar um nome que o representará, com grandes chances de sair vitorioso.

É na luta que se aprende e nasce a conscientização sobre quem são os verdadeiros aliados. Já está evidente que os Estados Unidos elaboraram uma guerra híbrida para abocanhar as riquezas do Brasil, contando com apoio de autoridades, visando abocanhar nossas riquezas e impedir que o país se transforme em importante jogador da geopolítica internacional. A cereja desta conquista é o pré-sal, que poderia ser a redenção social para a população mais pobre. No entanto, o governo Temer está repassando o petróleo para importantes companhias internacionais. A luta não acabou. Voltaremos com mais força. A história está ao nosso lado.

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