Por Domingos Miranda
Israel acaba de completar 70 anos como Estado. A sua criação fez com que o Oriente Médio se transformasse no ponto mais nevrálgico do planeta. Este pequeno país, cercado por países árabes, assumiu protagonismo muito acima de seu peso econômico porque se transformou em ponta de lança do imperialismo na região. As questões geopolíticas ficam mais acirradas também porque envolvem as três principais regiões monoteístas. Por trás de tudo há uma enorme contradição: para reparar um genocídio praticado pelos nazistas contra os judeus, as potências vitoriosas resolveram oferecer uma pátria às vítimas, não na Alemanha, mas sim na Palestina. Para a sua efetivação desalojaram de seus lares milhares de famílias nativas. Combateram uma injustiça praticando outra de iguais proporções.
Ilustração: Charge de Ênio, no
jornal Tribuna Operária, em 1982, durante a invasão das tropas de Israel no
Líbano
Para não dizer que sou antissemita, cito uma frase do rabino Meir Hirsch, líder de um segmento do judaísmo que é contrário ao Estado de Israel, que deveria existir somente após a volta do messias. Ele diz: “Como é que nós que morremos aos milhões no Holocausto, viemos para esta terra para matar outro povo? É um absurdo”. A ideia política de criar um Estado para os judeus foi colocada em prática pelo sionismo, através da teoria de Theodor Herzl, com a conivência do imperialismo britânico. Em 1917, pouco antes da Grã-Bretanha assumir o controle da Palestina, o ministro das relações exteriores britânico, Arthur Baldour, assinou um documento respaldando pela primeira vez a necessidade de estabelecer “um lar nacional para o povo judeu na Palestina”.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial a Palestina foi dividida entre judeus e palestinos, sem que estes últimos fossem ouvidos. Como era previsível, a guerra estourou entre as duas partes, com a vitória dos israelenses. Cerca de 700 mil palestinos foram expulsos de sua terra, muitas aldeias e cidades foram destruídas, no que ficou conhecido pelos árabes como Nakba, que significa catástrofe ou expulsão. Hoje estes desalojados ultrapassam 5 milhões de pessoas e o seu retorno é um ponto sem acordo nas negociações entre palestinos e israelenses.
Israel é o único país que não tem fronteiras definidas pois está em permanente expansão. A partir da guerra de 1967, o governo israelense começou a colocar em prática a ocupação de áreas da Palestina para o alojamento de colonos judeus. Hoje este número chega a 500 mil e é uma fonte constante de atritos entre os dois povos, fazendo com que fosse construído um imenso muro da vergonha entre as duas áreas. Esta política arrogante do Estado judeu levou ao crescimento do antissemitismo no mundo inteiro.
O sionismo acabou sepultando a convivência pacífica entre judeus e árabes ao longo da história. Atualmente, mais do que nunca, Israel depende do apoio dos Estados Unidos para a sua sobrevivência. Onde isto vai levar, ninguém sabe. A única certeza é que o ódio não é a melhor conselheira para os governantes. Quem sabe, no futuro, o bom senso volte a imperar no governo judeu para trazer a paz. Os palestinos já mostraram que não se rendem.


