O QUE É ZARCO LIVRE?

Zarco é uma gíria usada pelos moradores de Joinville para ônibus. Portanto, o Zarco Livre está aberto para transportar o leitor a novas ideias, tendo como parâmetro o respeito à democracia, à verdade e à dignidade humana.

Livre trânsito para todas as idéias

sexta-feira, 30 de março de 2018

O fascismo mostra a cara no Sul

Por Domingos Miranda

Entre os dias 19 e 28 de março a víbora fascista mostrou a sua cara durante a Caravana de Lula no Sul do Brasil. Ruralistas e seus sabujos da classe média atacaram Lula e seus apoiadores com espancamentos, pedras e ovos além de bloquearem as rodovias com tratores e pneus queimados. O mais grave foi o disparo de armas de fogo em dois dos três ônibus da comitiva onde estavam dois ex-presidentes da República, fato inédito em nossa história. A pergunta que fica no ar: qual a razão de tanto ódio? É a herança escravocrata desta elite que teme perder seus privilégios. Lula criou várias universidades na região por onde passou e quem sempre mandou não admite que o filho do peão tenha um diploma universitário. A madame não quer ver a filha da empregada doméstica estudando medicina. Simples assim.



O sociólogo Jessé Souza, em seu livro “A Elite do Atraso”, explicou que esta casta privilegiada da nossa sociedade ainda mantém arraigado um preconceito que remete à nossa escravidão: os de baixo devem aceitar o seu lugar. O governo petista de Lula e Dilma não atacou nenhum direito dos ruralistas, até pelo contrário, nestes 13 anos a produção rural deu um fenomenal salto na produção. O crédito rural cresceu e muita dívida foi anistiada por conta da bancada que representa o setor, a mais forte do Congresso. Portanto, não haveria motivo para este ódio, a não ser a arrogância de classe.

O acesso à educação no Brasil foi um privilégio para as classes mais abastadas até o início do século 20. Na década de 50 houve um grande debate para a introdução do ensino público gratuito no segundo grau. Os setores conservadores não aceitavam quebrar o monopólio das escolas privadas nesta área mas grandes educadores como Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro conseguiram derrubar esta barreira. Na época de Lula e Dilma houve uma grande expansão no número de universidades públicas e institutos técnicos, principalmente nas regiões mais pobres. Também, nas últimas duas décadas, foram introduzidas as cotas para alunos negros, indígenas e pobres. Isto foi motivo de descontentamento dos segmentos que tinham mais facilidade para adentrar nas melhores faculdades por serem oriundos de escolas secundárias mais elitizadas.

Então, quando Lula resolve percorrer a região Sul, esta elite tradicionalmente mais organizada, coloca as garras de fora, aproveitando a campanha midiática contra a esquerda desencadeada nos últimos quatro anos. O ovo da serpente do fascismo estava sendo chocado neste período e agora quebrou a casca. A morte da vereadora Marielle Franco, no Rio, também ocorre dentro desta maré direitista.

A campanha maciça desenvolvida na mídia para implodir a candidatura Lula não surtiu o efeito desejado. Mesmo que a justiça partidarizada tenha condenado o ex-presidente, a sua popularidade só vem crescendo. E aí bateu o desespero nos setores golpistas. O ataque a tiros à comitiva onde estava Lula é de uma gravidade tremenda. Os meios de comunicação estrangeiros deram mais destaque a este atentado do que a imprensa brasileira, que está amarrada aos golpistas.

A resposta a este acirramento de forças deve ser a unidade dos setores democráticos. Devemos estar preparados para outros golpes pois a violência faz parte do DNA do fascismo. Garantir a participação de Lula no pleito de outubro é a principal tarefa da sociedade. É uma luta de Davi contra Golias porque a grande mídia, a maioria do Legislativo, o Judiciário e as forças de segurança tentarão impedir a volta do ex-presidente petista. Mas a imensa maioria da população já viu que o golpe foi um atraso para a soberania nacional, para as garantias trabalhistas e sociais e um atoleiro para o emprego. Só um governo eleito democraticamente terá condições de tirar o país da crise.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Servidores do Hospital Regional e Maternidade Darcy Vargas vão paralisar suas atividades em Joinville contra atos do Governo do Estado

Servidores do Hospital Regional e Maternidade Darcy Vargas vão paralisar suas atividades em Joinville juntamente com todas as unidades do Estado, para pressionar o governo a abrir mesa de negociação. Servidores estão desde 2016 sem data base ou qualquer negociação salarial.




Nesta Terça-feira (27/03) das 9 horas da manhã até as 10 horas os servidores estaduais de sáude em Joinville paralisarão todas as suas atividades.

A greve atingirá as unidades do Hospital Regional e Maternidade Darcy Vargas em Joinville e demais unidades do Estado, onde os servidores farão ato de paralisação durante uma hora.

Segundo os organizadores o ato grevista tem objetivo de chamar a atenção do governo do estado para a pauta da categoria.

De acordo com Enilda Mariano Stolf - diretora do Sindsaúde/SC de Joinville - os servidores estão desde 2016 tentando negociação.

"Em outubro tivemos nova assembléia. Enviamos ofício pra secretária de saúde quatro vezes desde outubro, mas com o troca troca de secretária [tivemos quatro secretários diferentes nesse período], não avançamos a negociação. Tiramos na assembléia do dia 21/03 dois dias de paralisação. Dia 27 a paralisação em todas as unidades do estado das 09h às 10h. E no Dia 03/04 nova paralisação das 09 às 11 horas. No dia 04/04 nova assembléia com indicativo de greve".

quinta-feira, 22 de março de 2018

Os nossos rios estão morrendo

Por Domingos Miranda

O escritor moçambicano Mia Couto escreveu em seu romance Terra Sonâmbula: “Nenhum rio separa, antes costura os destinos dos viventes”. Esta frase encaixa bem neste 22 de março, Dia Mundial da Água. O Brasil é a terra dos rios. Apesar da grande contribuição que estes mananciais deram ao longo da história para o encontro das civilizações e o transporte de mercadorias, hoje eles estão sendo envenenados e mutilados. A cada ano centenas de nascentes que vão dar maior vazão aos rios desaparecem por conta dos desmatamentos e exploração desenfreada do solo por culturas de exportação.

Paisagem estrada bonita - Joinville - Fotografia: Nilson Bastian

Não bastasse isso, há o problema da contaminação das águas. O Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos e boa parte destes pesticidas vai parar nas reservas hídricas, seja nos mananciais da superfície ou nos lençóis subterrâneos. Por outro lado, os constantes desastres ecológicos envolvendo rios colocam a saúde das populações ribeirinhas em sério risco. Exemplos mais recentes foram o vazamento dos resíduos de minério de ferro da Companhia Vale, em Mariana, e de alumina da companhia Hydro Alunorte, da empresa norueguesa Norsk Hydro, em Barcarena, no Pará. A primeira afetou quase toda a extensão do rio Doce, em Minas e Espírito Santo, e a segunda o rio Pará, no Estado do mesmo nome.

Como nosso país virou a casa da mãe Joana, onde vale tudo e predomina a balbúrdia, os órgãos ambientais lavram multas altíssimas, mas as empresas transgressoras do meio ambiente acabam não pagando nada porque seus advogados recorrem e a justiça é condescendente com elas. A conta sempre recai nas costas dos moradores, que é o lado mais fraco deste mundo insensato.

Mas nem tudo é desgraça. Há medidas positivas que estão sendo colocadas em prática para salvar as nascentes de água. Um dos casos mais emblemáticos é o que está acontecendo no município mineiro de Extrema, na divisa com São Paulo. O programa “Conservador das Águas” é pioneiro na aplicação do chamado Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), que consiste na remuneração do proprietário das terras onde se localizam os mananciais. O trabalho está sendo desenvolvido pelos técnicos da prefeitura em parceria com a Ong The Nature Conservancy (TNC) e O Instituto Estadual de Florestas. O programa foi instituído em 2007 e nestes dez anos já foram plantadas quase 2 milhões de árvores e restauradas 250 nascentes. As 170 propriedades beneficiadas ficam na bacia hidrográfica do rio Jaguari, que alimenta o Sistema Cantareira, em São Paulo.

O Instituto Terra criou o movimento “Todos pelo rio Doce” com o objetivo de mobilizar 20 mil voluntários para formar uma força-tarefa de proteção a centenas de nascentes da bacia do rio Doce. São formados técnicos que percorrem as propriedades rurais orientando os moradores na preservação dos olhos d’água e no plantio de mudas de árvores nativas.

Em Joinville também foi iniciada em 1997 o “Programa SOS Nascentes”, que visa recompor a vegetação ciliar, produção de mudas nativas e saneamento rural. Deu bons frutos, mas depois entrou em hibernação. O engenheiro agrônomo Onévio Zabot afirma que é necessário reimplementá-lo “em toda a sua amplitude, aplicando os recursos disponíveis na região, incluindo serviços ambientais. Ou seja: remunerar os agricultores que ajudam a proteger as nascentes”.

Portanto, há bons projetos em andamento, mas é preciso estender esta ação preservacionista para todos os municípios. É bom lembrar que apenas 0,008% do total da água de nosso planeta é potável (própria para o consumo). E boa parte dela já está contaminada. Isto é preocupante porque em um futuro não muito distante poderá faltar água para consumo em várias regiões do planeta. Então é hora de incentivarmos os produtores deste líquido tão valioso. E isto é fácil, basta preservar as nascentes. Então, mãos à obra.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Tecendo a bandeira da esperança

Em fevereiro, mês que registrou os 170 anos do Manifesto Comunista, de Marx e Engels (onde se conclamava à unidade os proletários de todo o mundo), as fundações de quatro partidos dos mais identificados com o movimento sindical e popular de nosso país lançaram um documento comum, o manifesto "Unidade para reconstruir o Brasil". Uma ação concreta para unificar as esquerdas, protagonizada pelo PCdoB, PDT, PSOL e PT.



O objetivo é apontar caminhos para a luta unitária em torno de um projeto democrático e participativo de país, com desenvolvimento econômico e inclusão social. Assinam os representantes das fundações Maurício Grabois (Renato Rabelo/PCdoB), Leonel Brizola-Alberto Pasqualini (Manoel Dias/PDT), Lauro Campos (Francisvaldo Mendes de Souza/PSOL) e Perseu Abramo (Marcio Pochmann/PT).

O manifesto expressa que, apesar das diferenças de estratégias e táticas eleitorais (neste momento, por exemplo, cada partido signatário tem seu próprio pré-candidato presidencial), é urgente a construção de uma base programática convergente que responda à avalanche de retrocessos impostos pelo governo ilegítimo de Michel Temer. Elenca propostas para a retomada da democracia e do desenvolvimento do Brasil e tarefas imediatas para a elaboração deste projeto unitário.

No tema mais próximo às trabalhadoras e trabalhadores do ensino – embora todos os itens nos digam respeito, pois buscamos a plenitude de nossos direitos, e não apenas os corporativos –, defende o documento o fortalecimento da educação "como um setor estratégico do desenvolvimento nacional. O direito à educação é fundamental para que seja materializado todo o conjunto de direitos humanos e sociais, e construída a justiça social. Fortalecer a educação pública tendo como eixo o Plano Nacional de Educação (PNE) que, entre outras metas, fixou como objetivos: 10% do Produto Interno Bruto (PIB) no setor e a educação integral para os ensinos fundamental e médio".

Tal meta buscávamos construir em parceria com os governos democráticos de Lula e Dilma, mas esse caminho foi violentamente interrompido pelos golpistas que alçaram Michel Temer ao poder. Desde então, a educação tem sido alvo privilegiado do Executivo. Temer desfigurou o Conselho Nacional de Educação, substituindo a Contee e outras entidades democráticas por representantes das escolas privadas em sua composição; inviabilizou a Conferência Nacional de Educação (em resposta, realizaremos, em maio, a Conferência Nacional Popular de Educação – Conape); implementou o desmonte do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies); reduziu as bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni); liquidou com os programas Mais Educação e Ciência sem Fronteira; deformou a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Médio; congelou os investimentos em educação por 20 anos; e impôs a reforma trabalhista, provocando grande impacto negativo para profissionais e estudantes nos estabelecimentos de ensino superior, dentre outros ataques.

A ofensiva do capital contra o trabalho, que resultou no golpe de 2016, continua ampla e multifacetada. Resistir é preciso. Neste ano eleitoral, não há como os sindicalistas se furtarem à luta política, apoiando candidatos ao legislativo e aos executivos estaduais e nacional comprometidos com a causa da democracia, da soberania, do desenvolvimento, dos direitos sociais e trabalhistas.

Com o manifesto "Unidade para reconstruir o Brasil", assinado pelas suas fundações, os partidos envolvidos ajudam a tecer a unidade. Cabe às entidades populares, sindicais inclusive, incorporarem-se a essa tarefa e hastearmos, juntos, essa bandeira da esperança.

Gilson Reis, coordenador-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino, Contee.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Marielle

Por Joice Pacheco

Meu primeiro artigo. Como não queria estar aqui escrevendo sobre isto, mas daí também não teria sofrido pelos ataques sofridos a Presidenta Dilma durante a campanha de 2014. Este foi o marco. Eles tentaram pela via Democrática, mas nós descobrimos que nosso voto vale tanto quanto o voto de qualquer um que faz parte de 1% da população mais rica do país. Não adiantou todos os ataques, toda mídia, todo dinheiro investido, não adiantou colocaram alguém com “aquele” sobrenome que parece democracia. Não vamos nomear, porque assim como o nosso atual presidente é apenas a personificação da investida neoliberal aos países “emergentes”. (No meu tempo de escola falava isto, países “emergente” ).

E como sou psicóloga e sei o poder das palavras. A população dos chamados países emergentes acreditaram que realmente poderíamos colocar o nariz para fora da água. Nada disto!, Disse o grande Pai ( talvez o arquiteto da Matriz, talvez... sei lá ... não tem nome, mas parece que tem vida, mas é nosso sistema operacional vigente: O Capitalismo!) . Os ataques vieram como sempre vem, rompendo o processo democrático e a soberania nacional. Em 2014 os ataques eram claros em relação a Petrobrás, continuam e continuarão até a vitória deles. Nossa maior riqueza nacional, nossa renda para um país rico e soberano, nosso poder de barganha com o sistema, o que nos garante o poder de decisão. E neste ano votamos e demos o recado nas urnas queremos justiça social, queremos um avanço na igualdade entre classes, queremos uma vida melhor. (A minha vida melhorou muito nos 12 anos do governo petista e tenho clareza que não foi apenas porque sou dedicada. Conheço muitas pessoas que tem muito mais dedicação que eu, mas estavam para traz na corrida e os 12 anos foram pouco.) Precisamos de mais tempo, precisamos de consolidação das garantias, dos mínimos sociais, das leis trabalhistas, da previdência...



Em 2013, tivemos um movimento que foi cooptado pela direita. Não são apenas 20 centavos esteve até no quadro escolar do Bart Simpson.... Chega de história, pois desta todas e todos lembramos.
Marielle e Anderson foram executados. E agora? Choramos, fazemos atos, nos indignamos... (mas tem os que ainda não entenderam e comemoram a morte dos comunistas. Aqueles que querem soluções agressivas, porém simples para a complexidade da crise capitalista que estamos vivendo. Que não entenderam o que esta acontecendo.)

Mas retomamos... o que fazer? Proponho algo que é conhecido por toda esquerda, defendida por todas e todos que compõe as forças “TRABALHADORES DO MUNDO UNI-VOS!”. União é o mantra que precisamos emanar enquanto caminhamos para retomada democrática. Parece poético, e simplista. Mas não! É uma luta que precisamos travar, um compromisso que precisamos assumir. A morte de Marielle deve ser vista como um marco de união e não de acovardamento.

A violência assume novo patamar

Por Domingos Miranda

A violência toma conta do Brasil. No ano passado 61 mil pessoas foram assassinadas, a maioria constituída de jovens negros. No dia 14 de março foi executada a vereadora Marielle Franco, do Rio de Janeiro, elevando o patamar da barbárie. Ela era o símbolo da luta contra esta carnificina: negra, nascida na favela, socióloga, socialista, ativista dos direito humanos e quatro dias antes de sua morte denunciou a violência policial no Acari. Dos nove tiros disparados em seu carro, quatro atingiram o seu rosto e três o seu motorista, Anderson Gomes. A pergunta que todos fazem: quem ordenou este assassinato que serviu como um recado? 


A tragédia brasileira é que tem muito protagonista falando em acabar com a violência e somente poucos querem extirpar a raiz do problema. A própria intervenção militar é um exemplo disso. As Forças Armadas já foram chamadas 21 vezes para enfrentar o crime no Rio, mas só uma vez conseguiu reduzir a criminalidade. Agora ficou evidente o caráter eleitoreiro desta operação para tentar elevar o índice de popularidade do presidente ilegítimo Temer. No fundo, o favelado é quem sofre as piores consequências e não os traficantes.

Até agora não se viu nenhuma prisão dos barões do tráfico, que residem nos bairros mais chiques da cidade maravilhosa. Os lucros fantásticos provenientes do comércio da droga não ficam na favela. Se não prendem os donos de helicópteros carregados de cocaína nem o político proprietário das terras onde descem aviões abarrotados de pasta base, não é agora que irão atrás de quem comanda a teia do pó no Rio. E esta grana irriga os órgãos que deveriam combater o tráfico. No ano passado, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, disse que todos os comandos da PM no Rio estavam envolvidos com o crime. Ninguém o desmentiu.

Portanto, quando surge uma pessoa carismática, não envolvida com a rede suja da corrupção política, que obteve a quarta maior votação na Câmara de Vereadores, e começa a denunciar este estado de coisas, a sua sentença foi traçada. Marielle, quatro dias antes de morrer, apontou o dedo para o Batalhão de Irajá (41º BPM) por estar praticando violência e aterrorizando os moradores de Acari, uma comunidade da zona norte do Rio de Janeiro. A vereadora escreveu que “o 41º Batalhão é conhecido como Batalhão da Morte”. Uma semana antes, dois jovens foram encontrados mortos em um valão da comunidade.

Como ex-favelada, Marielle conhecia bem esta tática de violência dos órgãos de repressão contra os moradores dos morros. Os homens das Forças Armadas ainda não explicaram para que vieram. Entram e saem das favelas, tiram fotos dos moradores e não apresentam nenhum resultado mostrando eficiência contra o crime. Agora estão numa saia justa pois terão que esclarecer esta morte de repercussão internacional.

O caso do Rio está dentro de uma dinâmica maior, que é a articulação dos três poderes para tentar impedir a candidatura de Lula à presidência. Para isso acontecer as máscaras vão caindo e o simulacro de democracia foi para o espaço há muito tempo. A regra básica para condenar alguém no judiciário, a apresentação de provas, foi quebrada pelo juiz Sérgio Moro e pelos desembargadores do Tribunal Regional Federal de Porto Alegre. Enquanto a população volta os olhos para o Rio, os laços para levar Lula à prisão são preparados.

Muitas vezes os planos traçados pelos golpistas não saem como o programado. Basta lembrar que há 50 anos, na retomada das mobilizações populares contra a ditadura, o estudante secundarista Edson Luís de Lima Souto, de 16 anos, foi morto pela PM no restaurante Calabouço, no Rio. Isto desencadeou um acirramento dos ânimos que culminou com a Marcha dos 100 Mil, em 27 de junho de 1968. Agora, também enfrentamos uma mobilização crescente contra o golpe de 2016 e as forças democráticas buscam um candidato único para enfrentar a direita raivosa. O crescimento da revolta da população ainda não sabemos como vai se dar, mas já temos uma mártir para impulsionar esta luta. Os golpistas não passarão.

quinta-feira, 8 de março de 2018

No 8M Zarco livre apresenta três novas colunistas para engrossar o debate sobre gênero e pautas sociais

Neste 8 de março o coletivo Zarco Livre apresenta três novas colunistas! Uma trinca de ativistas de gênero super engajadas e comprometidas como os movimentos sociais. Joice Pacheco, Kênia Gadtke e Mariana Franco.

Joice é Psicóloga, Mestre em Saúde Mental e Atenção Psicossocial/ UFSC. Especialista em Gestão na Política Nacional de Assistência Social; Professora Universitária; Atuou na implementação do serviço Consultório na Rua de Joinville; Servidora pública municipal, atualmente é Psicóloga na UBS do presídio pela Prefeitura Municipal de Joinville. Compõe a direção estadual da UBM em SC, foi presidente da UBM Jaraguá do Sul.


Kenia é Licenciada e bacharel em Ciências Sociais pela UFSC, mestre e doutora em Sociologia Política pela mesma universidade. Já foi educadora social em ongs, professora em diferentes redes e vendeu livro em feira. Atualmente é professora do IFSC campus Jaraguá do Sul



Mariana é Bacharel em Administração com especialização em Comércio Exterior e em Relações Internacionais Presidente Da União Nacional LGBT de Jaraguá do Sul Vice Presidente da União Nacional LGBT de Santa Catarina Ativista dos Direitos Humanos Conselheira CESMU do Conselho Nacional de Saúde Coordenadora da União Brasileira de Mulheres Integrante do Coletivo Transcender Secretaria da Federação da União dos Culto Afrobrasileiros Conselheira Municipal do COMEN de Jaraguá do Sul Conselheira do COMPIR de Jaraguá do Sul Conselheira do COMDIM de Jaraguá do Sul.



Bem vindas meninas e à luta!!!

quarta-feira, 7 de março de 2018

A mulher só vai se libertar com luta

 Domingos Miranda

A principal lição que os oprimidos aprenderam ao longo da história foi a de que nada se consegue sem luta. No caso das mulheres isto está muito evidente. Há cerca de um século o sexo feminino realizava trabalhos estafantes, recebiam salários aviltantes, não tinha férias e nem folga após o parto. A situação para elas melhorou, mas ainda há muito o que avançar. Por isso, o 8 de Março deve ser uma data de luta e não apenas um feriado para se descansar ou assistir algum show. A consciência de que a exploração está presente e precisa ser extirpada é a principal arma que elas têm. 


A nossa classe dominante é esperta e usa todas as ferramentas para impedir que a mulher trabalhadora tome consciência de seu poder. Na maioria das vezes, as comemorações referentes ao Dia Internacional da Mulher perdem o seu real significado, ficando restritas a shows, sorteios e discursos melosos, geralmente com apoio patronal. É preciso resgatar o espírito guerreiro de nossas mulheres. Com estes exemplos de luta se verá que o sexo feminino não é frágil, mas forte e libertário.

Santa Catarina é a terra natal de uma das mulheres mais combativas de nossa história: Anita Garibaldi. Além de ser uma guerreira corajosa, ela quebrou vários tabus de nossa sociedade, o principal deles era que a mulher não podia ser dona de seu destino. A jovem dona de casa de Laguna não aceitou ficar amarrada por laços matrimoniais a uma pessoa que não tinha afinidades, destino reservado às moças daquela época. Quando o marido foi para a guerra e não deu mais notícias, Anita acompanhou o guerrilheiro Giuseppe Garibaldi quando este passou por sua cidade natal. A partir daí enfrentou várias batalhas ao lado do marido no Brasil, Uruguai e Itália. Por isso foi chamada de heroína de dois mundos.

Outras heroínas surgiram, não só nos campos de batalha mas também nos locais de trabalho. A própria data comemorativa de 8 de março foi uma homenagemàs 130 mulheres que lutavam pela redução da carga horária de trabalho (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário) e que foram queimadas dentro da fábrica têxtil, em 1857. No Brasil, muitas mulheres encabeçaram greves, permitindo alcançar benefícios específicos para elas, tais como a licença-maternidade.

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Em 1983, como jornalista da Tribuna Operária,acompanhei as lutas pela moradia em São Paulo. Tive oportunidade de ver a garra das mulheres naqueles conflitos com a polícia e com os vigilantes. No livro que escrevi em parceria com Olívia Rangel, “Eu não tenho onde morar”, anotei: “Às mulheres coube um papel destacado na luta pela moradia em Centreville. Enquanto a maioria dos homens estava trabalhando fora, as mulheres se mobilizavam para defender suas casas. Maria da Silva, presidente da Sociedade Amigos da Vila Guaraciaba, dá sua opinião: ‘Na luta do dia-a-dia as mulheres vão descobrindo uma nova vida, mesmo sabendo que correm um certo risco’. (...) Terezinha Bueno Baltazar, mãe de oito filhos, sentada junto com sua filhinha Renata, na cozinha de sua nova casa em Centreville, afirma: ‘É a primeira vez que participo e adorei’. Terezinha diz entusiasmada que quando os guardas atiraram nós fomos atrás deles com pedra em cima. Ela conclui: ‘Se a gente não lutar por aquilo que é da gente, quem vai lutar?’”.

Assim são as mulheres. Na aparência podem demonstrar uma certa fragilidade, mas quando tomam consciência dos seus direitos, são as melhores guerreiras. Como foi Anita Garibaldi. Hoje, os governantes golpistas estão usurpando os direitos das mulheres e de todo o povo mas um novo dia está chegando e elas irão ocupar um lugar de destaque nesta luta. Portanto, neste 8 de março devemos mostrar a força das mulheres ao longo da história. Só falta uma maior conscientização para que a fogueira seja acesa em busca de seus direitos. A libertação das mulheres será feita por elas mesmas. Elas já mostraram que são capazes.