Por Domingos Miranda
Um antigo diplomata dizia que os países não têm amigos, mas sim interesses. E quando neles houver riquezas sempre haverá alguém interessado em meter a mão nesta cumbuca. Ao longo da história, nosso país sempre foi vítima destes gatunos. Apesar de todos os percalços que atrapalharam o nosso desenvolvimento, conseguimos importantes avanços e mantivemos a integridade territorial. No entanto, hoje a nossa soberania corre perigo. Os três poderes estão em frangalhos. Através da lawfare – uma guerra ilegal praticada por uma superpotência, com usos de poderes jurídicos para obter fins políticos – a presidente eleita foi destituída do cargo com a ajuda de deputados venais e a complacência de um judiciário partidarizado. O resultado é uma crise institucional de gravidade nunca antes vista.
Com a ajuda do governo golpista a soberania nacional está sendo desmontada. O principal ataque foi à Petrobras, a nossa mais valiosa empresa. As áreas para exploração de petróleo estão sendo passadas a empresas internacionais por preços vis. O refino de combustível entrou em declínio enquanto as refinarias ficam com capacidade ociosa. Com isso passamos a importar mais produto refinado. Nosso maior cientista em energia nuclear está preso em um julgamento pouco transparente. Com isso interrompe-se o avanço na construção de nossos submarinos nucleares. Voltou a ser discutido o repasse da Base Aeroespacial de Alcântara para os americanos, processo que estava sendo discutido no governo Fernando Henrique Cardoso e que foi interrompido com a eleição de Lula. Tropas americanas participarão, pela primeira vez, de operações de guerra na selva na Amazônia com o Exército brasileiro e com isso terão conhecimento sobre nossas táticas de defesa no interior da mata.
Tais fatos criam desassossego nos setores nacionalistas de nossa sociedade, mesmo dentro do governo. Há poucos dias, em palestra, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, mostrou que há divisão dentro das Forças Armadas nesta questão. Ele frisou que o Brasil é uma nação que não tem consciência da sua própria grandeza e das riquezas presentes em seu território. Calculou em 23 trilhões de dólares o potencial em recursos naturais existentes apenas na região amazônica.
Nem na época da ditadura, com o governo militar alinhado com os norte-americanos, a nossa política foi tão entreguista como agora no governo Temer. Está se discutindo no Congresso, a pedido do Executivo, alteração na lei para que se possa vender qualquer quantidade de terras para estrangeiros. Isso, aliado ao fato do Brasil ter ratificado a Convenção da Organização Internacional do Trabalho 169, que dá direito às nações indígenas declararem-se independentes, corremos o grave risco de ver o desmembramento de nosso território.
Todos os setores patriotas devem unir forças para barrar tal ameaça. Basta ver que há pouco mais de duas décadas a Iugoslávia foi desmembrada por causa de interesses externos. No Brasil poderá ocorrer o mesmo se não unirmos forças desde já. Isso inclui Forças Armadas, empresários, trabalhadores, estudantes, religiosos, políticos etc. Será uma união sem cor partidária pensando apenas na defesa da pátria. No século XVII o cacique Sepé Tiaraju mobilizou as tropas dos índios guaranis contra os exércitos de Portugal e Espanha. Ele dizia aos invasores: “Esta terra tem dono”. Morreu lutando, mas não se entregou. Hoje, devemos levantar novamente esta bandeira. Vamos mostrar aos interesses externos que esta terra tem dono, que são os brasileiros.
