Domingos Miranda
Era 8 de março (23 de fevereiro no calendário russo da época) de 1917 e centenas de operárias da metalúrgica Putilov, em greve, saíam pelas ruas centrais de Petrogrado para comemorar o Dia da Mulher e para protestar contra as difíceis condições de trabalho. Nos cartazes pediam pão, paz e o fim da autocracia (a monarquia autoritária do czar). Pela primeira vez os cossacos, a temível tropa de elite encarregada de combater qualquer distúrbio, não disparou contras os manifestantes. Começava ali a mais importante revolução da história e dentro de cinco dias a monarquia caiu e em seu lugar assumiu um governo provisório. A chamada Revolução de Fevereiro foi a primeira etapa do movimento popular que teve continuidade com a Revolução de Outubro, quando o Partido Bolchevique (comunista) tomou o poder.
A Rússia era o maior país do mundo, no início do século tinha 130 milhões de habitantes, e possuía um governo tirânico. Milhares de opositores, quando não eram executados, padeciam nos campos de concentração da Sibéria. Alguns deles fugiam e se refugiavam na Europa e na América. Em 1905 houve uma primeira revolução e foi alcançada duas importantes conquistas: a formação de uma Duma (parlamento, sem muitos poderes) e os sovietes (órgãos representativos dos trabalhadores nas fábricas e no campo). Em 1914 a Rússia entrou na primeira guerra mundial ao lado da França e Inglaterra contra a Alemanha, o império Austro-Húngaro e a Turquia. Milhões de jovens camponeses foram enviados para os campos de batalha e o nível de mortalidade era o mais alto de todos os exércitos. A carestia aumentou e os protestos começaram.
A revolução é como um vulcão, não se sabe quando começa e nem qual vai ser a sua amplitude. Assim foi com a Revolução de Fevereiro. Com o retorno de Lênin, líder dos bolcheviques, que estava no exílio há 12 anos, o movimento revolucionário tomou um novo rumo. O governo provisório, chefiado por Kerenski, não colocou em prática as medidas almejadas por soldados e camponeses (o fim da guerra e a reforma agrária) e com isso a situação ficou fora de controle. Havia deserção em massa de soldados, as fazendas eram ocupadas pelos trabalhadores rurais e os operários passaram a gerir as fábricas. Os bolcheviques, que lideravam os sovietes das grandes cidades, tomaram o Palácio do Inverno, sede do governo em Petrogrado, em 26 de outubro de 1917. Pela primeira vez na história, operários, camponeses e soldados dirigiam um dos países mais poderosos do mundo.
Este fato teve repercussão mundial. As grandes potências não aceitaram aquela inversão de valores, onde o Estado era defensor dos oprimidos. E enviaram seus exércitos com a intenção de derrubar o novo governo. Mas o povo se apresentou voluntariamente para lutar no Exército Vermelho e, depois de quatro anos de combates, o regime soviético saiu vitorioso. Posteriormente outros 15 países se agregaram à Rússia e formaram a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Os avanços da única nação comunista do mundo eram acompanhados com fervor pelos povos oprimidos e serviram de farol para a sua luta de libertação, contribuindo para a descolonização da África e Ásia. A URSS foi o país que teve o maior número de mortos na segunda guerra mundial e foi graças ao heroísmo de seu povo que o nazismo foi derrotado. O avanço científico e econômico foi vertiginoso. Em poucos anos o país saía do arado movido a cavalo para a avançada tecnologia da energia nuclear e foi a pioneira na corrida espacial.
No Brasil, a revolução russa teve enorme repercussão. Em 9 de julho de 1917, os operários têxteis de São Paulo desencadearam uma greve por melhores salários. Diante da violenta repressão o movimento cresceu e atingiu 70 mil trabalhadores. Os patrões foram obrigados a ceder e o exemplo se espalhou por outras cidades. Em 23 de julho daquele ano os operários de Joinville fizeram a sua primeira greve, que foi encerrada em 1º de agosto, com um acordo entre patrões e grevistas. Para evitar novas greves, os empresários fizeram “listas negras” com o nome dos líderes do movimento paredista e que estavam impedidos de trabalharem. Mesmo com toda a repressão ao longo das décadas, o movimento operário brasileiro nunca esmoreceu, pois tinha um partido, criado em 1922, que orientava o seu caminho de luta.
Hoje não existe mais a União Soviética, mas o exemplo da luta dos revolucionários que edificaram o primeiro país socialista da história permanece firme, mostrando que é possível vencer as adversidades e alcançar a vitória. Para que isto aconteça é preciso ter um partido que represente os interesses dos oprimidos e que coloque em prática uma política correta para cada momento específico.
Era 8 de março (23 de fevereiro no calendário russo da época) de 1917 e centenas de operárias da metalúrgica Putilov, em greve, saíam pelas ruas centrais de Petrogrado para comemorar o Dia da Mulher e para protestar contra as difíceis condições de trabalho. Nos cartazes pediam pão, paz e o fim da autocracia (a monarquia autoritária do czar). Pela primeira vez os cossacos, a temível tropa de elite encarregada de combater qualquer distúrbio, não disparou contras os manifestantes. Começava ali a mais importante revolução da história e dentro de cinco dias a monarquia caiu e em seu lugar assumiu um governo provisório. A chamada Revolução de Fevereiro foi a primeira etapa do movimento popular que teve continuidade com a Revolução de Outubro, quando o Partido Bolchevique (comunista) tomou o poder.
A Rússia era o maior país do mundo, no início do século tinha 130 milhões de habitantes, e possuía um governo tirânico. Milhares de opositores, quando não eram executados, padeciam nos campos de concentração da Sibéria. Alguns deles fugiam e se refugiavam na Europa e na América. Em 1905 houve uma primeira revolução e foi alcançada duas importantes conquistas: a formação de uma Duma (parlamento, sem muitos poderes) e os sovietes (órgãos representativos dos trabalhadores nas fábricas e no campo). Em 1914 a Rússia entrou na primeira guerra mundial ao lado da França e Inglaterra contra a Alemanha, o império Austro-Húngaro e a Turquia. Milhões de jovens camponeses foram enviados para os campos de batalha e o nível de mortalidade era o mais alto de todos os exércitos. A carestia aumentou e os protestos começaram.
A revolução é como um vulcão, não se sabe quando começa e nem qual vai ser a sua amplitude. Assim foi com a Revolução de Fevereiro. Com o retorno de Lênin, líder dos bolcheviques, que estava no exílio há 12 anos, o movimento revolucionário tomou um novo rumo. O governo provisório, chefiado por Kerenski, não colocou em prática as medidas almejadas por soldados e camponeses (o fim da guerra e a reforma agrária) e com isso a situação ficou fora de controle. Havia deserção em massa de soldados, as fazendas eram ocupadas pelos trabalhadores rurais e os operários passaram a gerir as fábricas. Os bolcheviques, que lideravam os sovietes das grandes cidades, tomaram o Palácio do Inverno, sede do governo em Petrogrado, em 26 de outubro de 1917. Pela primeira vez na história, operários, camponeses e soldados dirigiam um dos países mais poderosos do mundo.
Este fato teve repercussão mundial. As grandes potências não aceitaram aquela inversão de valores, onde o Estado era defensor dos oprimidos. E enviaram seus exércitos com a intenção de derrubar o novo governo. Mas o povo se apresentou voluntariamente para lutar no Exército Vermelho e, depois de quatro anos de combates, o regime soviético saiu vitorioso. Posteriormente outros 15 países se agregaram à Rússia e formaram a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Os avanços da única nação comunista do mundo eram acompanhados com fervor pelos povos oprimidos e serviram de farol para a sua luta de libertação, contribuindo para a descolonização da África e Ásia. A URSS foi o país que teve o maior número de mortos na segunda guerra mundial e foi graças ao heroísmo de seu povo que o nazismo foi derrotado. O avanço científico e econômico foi vertiginoso. Em poucos anos o país saía do arado movido a cavalo para a avançada tecnologia da energia nuclear e foi a pioneira na corrida espacial.
No Brasil, a revolução russa teve enorme repercussão. Em 9 de julho de 1917, os operários têxteis de São Paulo desencadearam uma greve por melhores salários. Diante da violenta repressão o movimento cresceu e atingiu 70 mil trabalhadores. Os patrões foram obrigados a ceder e o exemplo se espalhou por outras cidades. Em 23 de julho daquele ano os operários de Joinville fizeram a sua primeira greve, que foi encerrada em 1º de agosto, com um acordo entre patrões e grevistas. Para evitar novas greves, os empresários fizeram “listas negras” com o nome dos líderes do movimento paredista e que estavam impedidos de trabalharem. Mesmo com toda a repressão ao longo das décadas, o movimento operário brasileiro nunca esmoreceu, pois tinha um partido, criado em 1922, que orientava o seu caminho de luta.
Hoje não existe mais a União Soviética, mas o exemplo da luta dos revolucionários que edificaram o primeiro país socialista da história permanece firme, mostrando que é possível vencer as adversidades e alcançar a vitória. Para que isto aconteça é preciso ter um partido que represente os interesses dos oprimidos e que coloque em prática uma política correta para cada momento específico.
